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Ficha · Análogo sintético de GHRH (GRF 1-29 tetrasubstituído) conjugado a Drug Affinity Complex — ligação covalente à albumina sérica que estende a meia-vida de minutos para dias

CJC-1295 com DAC

Variante de ação prolongada do CJC-1295: o Drug Affinity Complex forma ligação covalente com a albumina e estende a meia-vida para ~6-8 dias, com GH e IGF-1 elevados por mais de uma semana após dose única (fase 1, ConjuChem). O programa clínico não avançou; sem registro ANVISA/FDA/EMA. Banido WADA S2.2.4.

InvestigacionalEvidência média
PorAmanda MatsudaPublicado09 de agosto de 2026

Peptídeo encaixa em receptor · sinal celular

Quick answer

CJC-1295 com DAC é a variante de ação prolongada do análogo de GHRH CJC-1295: sobre o fragmento 1-29 do GHRH tetrasubstituído (resistente à DPP-IV), a ConjuChem Biotechnologies (Canadá) acoplou o Drug Affinity Complex (DAC) — um grupo maleimidopropiônico que forma ligação covalente com a cisteína 34 da albumina sérica. Ancorado à albumina, o peptídeo passa a ter meia-vida de ~6 a 8 dias (5,8-8,1 dias em Teichman 2006, PMID 16352683), com GH elevado por ~6 dias e IGF-1 por 9-11 dias após dose única. A base humana publicada se restringe a ensaios de fase 1 em adultos saudáveis (n=43); o programa clínico não avançou e a molécula não tem registro ANVISA, FDA nem EMA em agosto/2026. É banida pela WADA (S2.2.4) em e fora de competição. A ficha da variante de ação curta está em /peptideos/cjc-1295; o comparativo entre as duas está em CJC-1295 DAC vs sem DAC.

O que é

CJC-1295 com DAC (nome de desenvolvimento DAC:GRF) é um análogo sintético do GHRH — o hormônio hipotalâmico que estimula a hipófise a secretar hormônio de crescimento. A molécula parte do fragmento ativo 1-29 do GHRH humano e soma duas camadas de engenharia:

  1. Tetrasubstituição (D-Ala2, Gln8, Ala15, Leu27) — quatro trocas de aminoácidos que protegem o peptídeo da clivagem pela enzima DPP-IV. Essa camada é compartilhada com a variante sem DAC (Mod-GRF 1-29) e estende a meia-vida de ~5 minutos (GHRH nativo) para ~30 minutos.
  2. Drug Affinity Complex — um grupo reativo de ácido maleimidopropiônico na extremidade C-terminal que, logo após a injeção, forma ligação covalente com a albumina circulante. É essa camada que transforma minutos em dias.

A distinção entre as duas variantes importa porque o mercado research costuma vender ambas sob o mesmo nome "CJC-1295", gerando confusão farmacológica real: uma produz estímulos curtos e episódicos; a outra, um agonismo contínuo com IGF-1 elevado por semanas. Os dois posts comparativos do acervo — DAC vs sem DAC e a leitura prática da diferença — tratam exatamente dessa confusão; esta ficha é o registro técnico da variante DAC.

Mecanismo

Agonismo de GHRH-R. Como todo análogo de GHRH, CJC-1295 com DAC liga-se ao receptor de GHRH nos somatotrofos da hipófise anterior e estimula síntese e secreção de GH, com elevação secundária de IGF-1 hepático. O eixo permanece sujeito ao freio fisiológico da somatostatina e ao feedback negativo do IGF-1 — diferença relevante frente à administração direta de GH exógeno, discutida em peptídeo GH vs GH.

Ancoragem à albumina. A química do DAC é o que define a variante: o grupo maleimidopropiônico reage com o grupo tiol da cisteína 34 da albumina — ligação covalente, não reversível. A albumina tem meia-vida de ~19 dias e não é filtrada pelo rim; o peptídeo acoplado herda parte dessa longevidade. Nos ensaios de Teichman 2006, a meia-vida efetiva ficou em 5,8-8,1 dias, com resposta somatotrópica proporcional: GH 2-10x elevado por ~6 dias; IGF-1 1,5-3x elevado por 9-11 dias após dose única subcutânea.

Pulsatilidade parcialmente preservada. Ionescu & Frohman 2006 (PMID 17018654) mostraram que, mesmo sob estimulação contínua, os pulsos de GH persistem — com maior massa secretada por pulso e linha de base elevada. O perfil resultante é híbrido: pulsátil na forma, sustentado no total. A elevação de IGF-1 por semanas após cada dose, porém, não tem equivalente fisiológico — o contraste com o ritmo endógeno está detalhado em pulsatilidade do GH e eixo circadiano.

O que os estudos mostram

A base humana publicada é curta e é importante dizer isso com precisão:

1. Teichman 2006 (fase 1, n=43). Dois ensaios randomizados, duplo-cegos, placebo-controlados, de dose única e doses repetidas em adultos saudáveis de 21 a 61 anos. Estabeleceram a farmacocinética (meia-vida de dias), a resposta dose-dependente de GH/IGF-1 e a tolerabilidade de curto prazo. São estudos de farmacologia clínica — não de eficácia em qualquer doença.

2. Ionescu & Frohman 2006 (fase 1). Amostragem seriada em homens saudáveis demonstrando preservação parcial da pulsatilidade de GH sob estimulação contínua.

3. Sackmann-Sala 2009 (subestudo proteômico, n=11). Análise exploratória documentando alterações no perfil de proteínas séricas (incluindo IGFBP-2) após administração — sinal de que o impacto biológico vai além do par GH/IGF-1, sem leitura clínica direta.

O que não existe: ensaio de fase 2 ou 3 concluído e publicado para qualquer indicação; dados de eficácia em composição corporal, desempenho, sono ou envelhecimento; segurança acima de poucas semanas de exposição. O desenvolvimento pela ConjuChem não avançou às fases confirmatórias, e nenhuma empresa retomou a molécula até agosto/2026.

Efeitos adversos

Nos ensaios de fase 1, os eventos descritos foram majoritariamente leves e transitórios: reações locais de injeção (eritema, dor), cefaleia, rubor e sintomas vasomotores transitórios após a dose — perfil comum a análogos de GHRH.

As preocupações relevantes são as de classe e de perfil, não as documentadas em ensaios (que foram curtos e pequenos):

  • IGF-1 sustentadamente elevado por semanas após cada dose — preocupação teórica em histórico de neoplasia hormônio-sensível e retinopatia proliferativa, e razão pela qual segurança de longo prazo não pode ser presumida a partir de fase 1.
  • Metabolismo glicídico — estimulação somatotrópica prolongada pode piorar resistência à insulina.
  • Ausência total de farmacovigilância formal — como não há produto registrado, o uso atual ocorre em mercado research, sem notificação sistemática de eventos.

Antidopagem: CJC-1295 consta nominalmente na categoria S2.2.4 da Lista WADA (fatores liberadores de GH), em e fora de competição.

Status regulatório no Brasil

ANVISA. Sem registro em agosto/2026 — como também não há registro FDA, EMA, TGA ou Health Canada. Não existe produto industrializado contendo CJC-1295 (com ou sem DAC) aprovado em qualquer país.

Manipulação magistral. Não endossada pela ANVISA: a molécula não tem produto de referência nem CADIFA (RDC 359/2020), e a Nota Técnica 200/2025 sobre IFAs peptídicos opera sobre cadeias regulatórias estabelecidas — o que não é o caso. Importação por pessoa física e comércio direto ao consumidor configuram infração sanitária.

WADA. Banido, S2.2.4, em e fora de competição.

O que sabemos

  • A química do DAC (ligação covalente à albumina) funciona como desenhada: meia-vida de ~6-8 dias em humanos.
  • Dose única eleva GH por ~6 dias e IGF-1 por 9-11 dias (fase 1, adultos saudáveis).
  • A pulsatilidade do GH persiste parcialmente sob estimulação contínua.
  • Não há registro em qualquer agência e não há fase 2/3 publicada.
  • Banido WADA S2.2.4 nominalmente.

O que ainda não sabemos

  • Eficácia clínica em qualquer indicação — nunca testada em ensaio confirmatório.
  • Segurança de uso repetido por meses, com IGF-1 cronicamente elevado.
  • Se o perfil sustentado tem vantagem ou desvantagem clínica frente a análogos de GHRH de ação curta (sermorelina, tesamorelina) — nunca comparado diretamente.
  • Identidade e pureza reais do material que circula como "CJC-1295 DAC" em mercado research — sem cadeia regulada, o rótulo não é verificável.

Por que importa

CJC-1295 com DAC é um caso interessante de engenharia farmacocinética bem-sucedida sem desenvolvimento clínico correspondente. A ideia de ancorar um peptídeo à albumina para ganhar dias de meia-vida era sofisticada em 2005 — e hoje é rotina em fármacos aprovados (semaglutida e insulina degludeca usam acilação com ácido graxo para o mesmo fim). A diferença é que esses fármacos completaram fases 3 com dezenas de milhares de participantes; o CJC-1295 com DAC parou na fase 1 com 43.

No mercado research, porém, a molécula circula como se essa lacuna não existisse — frequentemente misturada à variante sem DAC sob o mesmo nome, e em combinações com secretagogos (GHRPs) descritas em GHRH, GHRP e GHS. A pephealth não recomenda nem desaconselha o uso: a função desta ficha é registrar o que a literatura de fase 1 estabeleceu, o que nunca foi estudado e o que a regulação (ANVISA, WADA) determina.

Para a variante de ação curta, ver /peptideos/cjc-1295. Para análogos de GHRH com caminho regulatório real, ver /peptideos/sermorelina e /peptideos/tesamorelina. Para o comparativo direto entre variantes, ver CJC-1295 DAC vs sem DAC.

<!-- DEDUP: já existem a ficha cjc-1295 (no-DAC, live em /peptideos/cjc-1295) e DOIS posts comparativos (cjc-1295-dac-vs-sem-dac, 2026-05-18; cjc-1295-dac-vs-no-dac, 2026-05-27). Esta ficha é o REGISTRO TÉCNICO da variante DAC (slug próprio esperado pela biblioteca do app — Lente 1 do plano peptideos-360) e crosslinka os três em vez de repetir o comparativo. PMIDs 16352683, 17018654 e 19386527 reutilizados da ficha cjc-1295 do repo (já verificados) — 16352683 e 17018654 reconfirmados via WebFetch em pubmed em 08/08. -->

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre CJC-1295 com DAC e sem DAC?
+
A sequência peptídica de base é a mesma — o fragmento 1-29 do GHRH com quatro substituições de aminoácidos (D-Ala2, Gln8, Ala15, Leu27) que resistem à DPP-IV. A diferença é o Drug Affinity Complex: um grupo maleimidopropiônico que forma ligação covalente com a cisteína 34 da albumina sérica. Sem DAC (variante também chamada Mod-GRF 1-29), a meia-vida é de ~30 minutos e o estímulo de GH é curto e episódico, próximo do pulso fisiológico. Com DAC, a meia-vida vai para ~6-8 dias e o agonismo do receptor de GHRH se torna contínuo, com IGF-1 elevado por 9-11 dias após cada dose. São perfis farmacológicos distintos com implicações diferentes — o comparativo completo está nos posts CJC-1295 DAC vs sem DAC do acervo.
Por que a meia-vida do CJC-1295 com DAC é de dias e não de minutos?
+
Por causa da albumina. O grupo DAC reage com a cisteína 34 da albumina sérica logo após a injeção e forma ligação covalente — o peptídeo passa a viajar acoplado a uma proteína grande, abundante e com meia-vida de ~19 dias, o que o protege de filtração renal e degradação enzimática. Nos ensaios de fase 1 de Teichman 2006 (PMID 16352683), a meia-vida estimada ficou entre 5,8 e 8,1 dias, com GH elevado por ~6 dias e IGF-1 por 9-11 dias após dose única. É a mesma lógica de ancoragem à albumina explorada, por outra química (acilação com ácido graxo), por fármacos aprovados como semaglutida e insulina degludeca.
CJC-1295 com DAC é aprovado no Brasil?
+
Não. CJC-1295 com DAC não tem registro ANVISA, FDA nem EMA para qualquer indicação em agosto/2026 — o programa clínico da ConjuChem Biotechnologies não avançou além de fases iniciais e não há produto industrializado registrado em qualquer país. Sem produto de referência e sem cadeia de IFA peptídico regulada (CADIFA, RDC 359/2020), a manipulação magistral não é endossada pela ANVISA, e importação por pessoa física ou comércio direto ao consumidor configuram infração sanitária. O que circula em mercado research opera fora do regime regulatório.
CJC-1295 com DAC é proibido no esporte?
+
Sim. CJC-1295 aparece nominalmente na Lista de Substâncias Proibidas da WADA na categoria S2.2.4 (fatores liberadores de hormônio do crescimento), em e fora de competição — a proibição cobre as variantes com e sem DAC. Atletas em federações signatárias do Código Mundial Antidopagem que testem positivo enfrentam suspensão conforme o Código, e a elevação prolongada de IGF-1 produzida pela variante DAC amplia a janela de detecção indireta.
A elevação contínua de GH/IGF-1 não é o oposto do pulso fisiológico?
+
Em parte. Ionescu & Frohman 2006 (PMID 17018654) mostraram que a pulsatilidade do GH persiste durante a estimulação por CJC-1295 com DAC — os pulsos continuam, mas com maior massa de GH por pulso e linha de base elevada. O resultado líquido é IGF-1 sustentadamente alto por semanas após cada dose, um perfil sem equivalente fisiológico: o eixo somatotrópico normal alterna picos curtos com vales profundos. As consequências de longo prazo desse perfil em humanos saudáveis não foram estudadas — a base publicada para na fase 1.
Existe alguma versão desse mecanismo aprovada como medicamento?
+
Não do CJC-1295 — mas o princípio de estimular o receptor de GHRH tem um representante aprovado: a tesamorelina, análogo de GHRH com registro para lipodistrofia associada ao HIV em algumas jurisdições. E o princípio de estender meia-vida por ligação à albumina aparece em fármacos aprovados como semaglutida e insulina degludeca (via acilação com ácido graxo, não covalente). O CJC-1295 com DAC combina as duas ideias, mas nunca completou desenvolvimento clínico nem obteve registro em qualquer país.

Estudos citados

5 referências
  1. 01
    Teichman SL, Neale A, Lawrence B, Gagnon C, Castaigne JP, Frohman LA. Prolonged stimulation of growth hormone (GH) and insulin-like growth factor I secretion by CJC-1295, a long-acting analog of GH-releasing hormone, in healthy adults · Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2006 · Dois ensaios fase 1 randomizados, duplo-cegos, placebo-controlados, dose-escalation (28 e 49 dias)n = 43

    Trabalho seminal da variante DAC: meia-vida estimada de 5,8-8,1 dias, GH elevado 2-10x por ~6 dias e IGF-1 elevado 1,5-3x por 9-11 dias após dose única subcutânea. Ensaios pequenos em adultos saudáveis — não são estudos de eficácia clínica em qualquer doença.

  2. 02
    Ionescu M, Frohman LA. Pulsatile secretion of growth hormone (GH) persists during continuous stimulation by CJC-1295, a long-acting GH-releasing hormone analog · Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2006 · Ensaio fase 1 com amostragem seriada de GH em homens saudáveisn = 20

    Mostra que os pulsos de GH persistem durante a estimulação contínua, com aumento da massa secretada por pulso e elevação da linha de base — perfil híbrido: pulsátil na forma, sustentado no total.

    ensaio clínicoPMID 17018654
  3. 03
    Sackmann-Sala L, Ding J, Frohman LA, Kopchick JJ. Decreased insulin-like growth factor binding protein-2 (IGFBP-2) and altered serum protein profile after CJC-1295 administration · Growth Hormone & IGF Research, 2009 · Análise proteômica de subgrupo de ensaio fase 1n = 11

    Subestudo proteômico exploratório — documenta que a estimulação sustentada altera proteínas séricas além de GH/IGF-1. Não é evidência de eficácia clínica.

    observacionalPMID 19386527
  4. 04
    World Anti-Doping Agency. WADA Prohibited List 2026 — Section S2.2 (Growth Hormone, its fragments and releasing factors) · WADA, 2026 · Padrão internacional vinculante para esporte olímpico e federações signatáriasn = 0

    CJC-1295 é citado nominalmente entre os fatores liberadores de hormônio de crescimento (S2.2.4). Proibido em e fora de competição.

    regulatório
  5. 05
    Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA — Nota Técnica nº 200/2025/SEI/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA (manipulação de IFAs peptídicos) + RDC 359/2020 (CADIFA) · Diário Oficial da União, 2025 · Atos normativos regulatóriosn = 0

    CJC-1295 com DAC não tem produto industrializado registrado em qualquer país e não tem CADIFA estabelecida no Brasil — manipulação magistral não é endossada pela ANVISA.

    regulatório

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