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Ficha · Gonadotrofina menopáusica humana (FSH+LH)

Menotrofina (hMG)

Menotrofina (hMG) é a gonadotrofina menopáusica humana, extraída e purificada da urina de mulheres pós-menopausa, com atividade de FSH e LH em proporção aproximada de 1:1. É usada na estimulação ovariana controlada da reprodução assistida, promovendo o crescimento folicular.

Registrado na AnvisaEvidência alta
PorAmanda MatsudaPublicado08 de julho de 2026Atualizado09 de jul. de 2026

Peptídeo encaixa em receptor · sinal celular

Quick answer

Menotrofina, ou hMG (gonadotrofina menopáusica humana), é uma gonadotrofina extraída e purificada da urina de mulheres pós-menopausa, contendo atividade de FSH e LH em proporção aproximada de 1:1. Sua função clínica é a estimulação ovariana controlada na reprodução assistida: o FSH recruta e faz crescer múltiplos folículos, e o LH sustenta a maturação e a produção hormonal. Difere do FSH recombinante (rFSH), que contém apenas FSH. A versão moderna, altamente purificada (HP-hMG), remove contaminantes proteicos e permite aplicação subcutânea. Nos protocolos, costuma ser usada em conjunto com a hCG como gatilho de ovulação. Exige monitorização pelo risco de síndrome de hiperestimulação ovariana e gestação múltipla. Doses e protocolos seguem a bula e a equipe de reprodução.

O que é

Menotrofina é uma gonadotrofina de origem urinária. Na pós-menopausa, a hipófise secreta gonadotrofinas em grande quantidade, que são eliminadas na urina; a partir daí, o hormônio é extraído e purificado para uso terapêutico. O produto final combina atividade de FSH e de LH — parte da atividade "LH" vem de hCG presente na preparação — em proporção aproximada de 1:1.

A tecnologia evoluiu para a HP-hMG (highly purified hMG), que reduz proteínas urinárias contaminantes, melhora a consistência entre lotes e permite aplicação subcutânea. As doses são expressas em unidades internacionais (UI) de FSH e LH.

O contraste central da classe é com o FSH recombinante (rFSH): enquanto a menotrofina traz FSH + LH numa única preparação, o rFSH oferece apenas FSH. Essa diferença de composição é o que motiva boa parte da discussão clínica sobre qual preparação usar.

Como age no corpo

Na estimulação ovariana controlada, a menotrofina atua por seus dois componentes:

  • FSH — crescimento folicular. Recruta e faz crescer múltiplos folículos ovarianos, ampliando o número de óvulos disponíveis para o procedimento (por exemplo, a fertilização in vitro).
  • LH — maturação e esteroidogênese. Sustenta a produção hormonal e a maturação dos folículos, papel que o rFSH isolado não fornece.

Ao final da fase de crescimento, um gatilho de ovulação — em geral a hCG — desencadeia a maturação final e a ovulação no momento planejado. Todo o processo é monitorado (ultrassom seriado, dosagem de estradiol), porque uma resposta exagerada pode levar à síndrome de hiperestimulação ovariana (SHEO), e o número de folículos se relaciona ao risco de gestação múltipla.

O que os estudos mostram

A pergunta clínica mais estudada é qual preparação de gonadotrofina usar. A revisão sistemática e meta-análise de Bordewijk e colaboradores (Human Reproduction Open, 2019, PMID 31206036) reuniu 28 estudos e 7.553 mulheres comparando rFSH, HP-hMG e HP-FSH para o desfecho de nascido vivo.

Os resultados apontam preparações amplamente comparáveis, com diferenças pequenas. Na comparação HP-hMG versus rFSH, o risco relativo de nascido vivo foi 0,88 (IC 95% 0,78–0,99) e o de gravidez clínica 0,90 (IC 95% 0,81–1,00) — uma diferença modesta, de magnitude clínica pequena. A quantidade total de gonadotrofina necessária foi essencialmente semelhante (diferença média de -37 UI; IC 95% -115 a 41).

A leitura honesta: nenhuma preparação se mostra dramaticamente superior. As diferenças existem, mas são pequenas, e a escolha entre menotrofina (HP-hMG) e rFSH é uma decisão clínica que considera protocolo, perfil da paciente, custo e disponibilidade — não uma superioridade categórica de uma sobre a outra.

Status regulatório no Brasil

ANVISA. A menotrofina tem registro na ANVISA como gonadotrofina para reprodução assistida, incluindo a versão altamente purificada (HP-hMG). É um medicamento de prescrição, de uso especializado.

Uso monitorado. As doses (em UI de FSH e LH), a via e o protocolo seguem a bula vigente e a orientação da equipe de reprodução assistida, com monitorização por causa dos riscos de SHEO e gestação múltipla.

Uso responsável. Este conteúdo é descritivo e não substitui a conduta médica. A menotrofina não é um medicamento de uso geral — sua indicação é a infertilidade sob protocolo.

O que sabemos

  • Menotrofina (hMG) é uma gonadotrofina de origem urinária com atividade de FSH e LH em proporção aproximada de 1:1.
  • É usada na estimulação ovariana controlada da reprodução assistida; a versão HP-hMG é altamente purificada.
  • Difere do FSH recombinante (rFSH), que contém apenas FSH.
  • Costuma ser combinada com hCG como gatilho de ovulação.
  • Meta-análise (2019, n=7.553) mostra preparações amplamente comparáveis, com diferenças pequenas nos desfechos de nascido vivo.

O que ainda não sabemos

  • Qual subgrupo de pacientes se beneficia mais de HP-hMG frente a rFSH — a individualização segue em estudo.
  • O impacto econômico e prático (número de aplicações, custo) frente ao ganho clínico pequeno em cada cenário.
  • Protocolos ótimos de dose e razão FSH:LH para diferentes perfis de reserva ovariana.

Por que importa

A menotrofina ilustra uma decisão clínica comum na reprodução assistida — urinária (FSH+LH) ou recombinante (só FSH) — em que a evidência aponta diferenças pequenas, não um vencedor claro. Descrever isso com números reais e sem exagero é útil justamente porque o marketing de cada preparação tende a inflar vantagens marginais.

A pephealth não recomenda nem desaconselha o uso de menotrofina — a indicação é clínica, individualizada e dependente de prescrição especializada. A função desta ficha é descrever com transparência: composição e mecanismo, o uso na estimulação ovariana, a comparação honesta com o FSH recombinante e o status regulatório no Brasil.

Para a gonadotrofina usada como gatilho de ovulação e no estímulo testicular, ver /peptideos/hcg. Para um secretagogo do eixo somatotrófico, ver /peptideos/sermorelina.

Perguntas frequentes

O que é a menotrofina (hMG)?
+
Menotrofina, ou hMG (do inglês human menopausal gonadotropin), é uma gonadotrofina obtida da urina de mulheres na pós-menopausa — fase em que o corpo produz muitas gonadotrofinas. Depois de extraída e purificada, a preparação contém atividade de dois hormônios: FSH e LH, em proporção aproximada de 1:1. A versão mais moderna, altamente purificada, é chamada HP-hMG. É um medicamento injetável de uso em reprodução assistida, sob prescrição especializada.
Para que serve a menotrofina?
+
A principal indicação é a estimulação ovariana controlada em tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. O componente FSH estimula o crescimento de múltiplos folículos nos ovários, e o componente LH ajuda na maturação e na produção hormonal desses folículos. O objetivo é obter vários óvulos maduros para o procedimento. As doses e o protocolo são definidos e monitorados pela equipe de reprodução assistida, conforme a bula e a avaliação individual.
Qual a diferença entre menotrofina (hMG) e FSH recombinante?
+
A menotrofina é de origem urinária e combina FSH e LH numa mesma preparação; o FSH recombinante (rFSH) é produzido por biotecnologia e contém apenas atividade de FSH. Na prática, uma meta-análise de 2019 (PMID 31206036), com 28 estudos e 7.553 mulheres, encontrou desfechos amplamente comparáveis entre as preparações, com diferenças pequenas — por exemplo, risco relativo de nascido vivo de 0,88 (IC 95% 0,78–0,99) para HP-hMG frente a rFSH. A escolha entre elas é clínica e depende do protocolo e do perfil da paciente.
A menotrofina tem riscos?
+
Como toda estimulação ovariana, os principais riscos são a síndrome de hiperestimulação ovariana (SHEO) — uma resposta exagerada dos ovários que exige atenção — e a gestação múltipla, ligada ao número de folículos e embriões. Por isso o tratamento é sempre monitorado com ultrassom e dosagens hormonais (como estradiol). Há contraindicações específicas (tumores hormônio-dependentes, sangramento ginecológico não esclarecido, entre outras), e o uso é restrito ao contexto de infertilidade sob protocolo.
A menotrofina é usada junto com a hCG?
+
Com frequência, sim. Nos protocolos de reprodução assistida, a menotrofina (ou o FSH) é usada para fazer os folículos crescerem ao longo de vários dias, e a hCG costuma entrar no final como 'gatilho' de ovulação, imitando o pico natural de LH para desencadear a maturação final e a liberação do óvulo no momento programado. Em fertilidade masculina, gonadotrofinas com FSH também podem ser combinadas com hCG. O esquema é sempre definido pela equipe médica.
A menotrofina é aprovada pela ANVISA?
+
Sim, a menotrofina tem registro na ANVISA como gonadotrofina para uso em reprodução assistida, incluindo a versão altamente purificada (HP-hMG). É um medicamento de prescrição, de uso especializado e monitorado. As doses (expressas em UI de FSH e LH), a via e o protocolo seguem a bula vigente e a orientação da equipe de reprodução. Este conteúdo é descritivo e não substitui a conduta médica.

Estudos citados

1 referência
  1. 01
    Bordewijk EM, Mol F, van der Veen F, Van Wely M. Required amount of rFSH, HP-hMG and HP-FSH to reach a live birth: a systematic review and meta-analysis · Human Reproduction Open, 2019 · Revisão sistemática e meta-análise comparando preparações de gonadotrofina (rFSH, HP-hMG, HP-FSH) para desfecho de nascido vivo (28 estudos, 7.553 mulheres)

    Meta-análise que comparou preparações de gonadotrofina na estimulação ovariana. Para HP-hMG versus rFSH, o risco relativo de nascido vivo foi 0,88 (IC 95% 0,78–0,99) e o de gravidez clínica 0,90 (IC 95% 0,81–1,00), sugerindo diferença modesta entre as preparações, de magnitude clínica pequena. A diferença média na quantidade total de gonadotrofina foi de -37 UI (IC 95% -115 a 41), sem diferença relevante. Enquadramento honesto: as preparações são amplamente comparáveis, com diferenças pequenas nos desfechos.

    meta-análisePMID 31206036

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