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Ficha · Coagonista GLP-1/glucagon

Mazdutida

Coagonista GLP-1/glucagon derivado da oxintomodulina, aplicação subcutânea semanal, em desenvolvimento sobretudo na China (GLORY/DREAMS) para diabetes e obesidade. Na fase 2 em DM2 chineses (Zhang 2024, n=250), reduziu a HbA1c em 1,41 a 1,67 ponto e até 7,1% do peso em 20 semanas. Sem registro ANVISA.

InvestigacionalEvidência média
PorAmanda MatsudaPublicado08 de julho de 2026Atualizado09 de jul. de 2026

Peptídeo encaixa em receptor · sinal celular

Quick answer

Mazdutida (também grafada mazdutide; códigos IBI362 / LY3305677) é um peptídeo coagonista dos receptores de GLP-1 e de glucagon, derivado da oxintomodulina e aplicado por via subcutânea semanal. O braço GLP-1 traz saciedade e controle glicêmico; o braço glucagon adiciona gasto energético e efeito sobre o metabolismo hepático de lipídios. O desenvolvimento clínico avança sobretudo na China (programas GLORY e DREAMS). A evidência publicada em revista indexada inclui um ensaio de fase 2 em pacientes chineses com diabetes tipo 2 (Zhang 2024, Diabetes Care, n=250): em 20 semanas, a HbA1c caiu 1,41 a 1,67 ponto e a perda de peso chegou a 7,1%, de forma dose-dependente. É evidência de fase 2, de curto prazo e em população chinesa. Mazdutida não tem registro na ANVISA e permanece investigacional no Brasil.

O que é

Mazdutida é um coagonista — um único peptídeo que ativa dois receptores ao mesmo tempo: o de GLP-1 e o de glucagon. Ela é estruturalmente derivada da oxintomodulina, um hormônio intestinal que, naturalmente, também atua sobre esses dois receptores. A modificação que a torna medicamento é o desenho para aplicação semanal.

A lógica de somar GLP-1 e glucagon num só peptídeo é a de complementar mecanismos. O braço GLP-1 é o já conhecido: saciedade, secreção de insulina dependente de glicose, controle glicêmico. O braço glucagon acrescenta um componente de aumento do gasto energético e de ação sobre o metabolismo hepático de lipídios — o que, em tese, pode ampliar a perda de peso e favorecer o fígado gorduroso. É a mesma família conceitual de outros coagonistas GLP-1/glucagon, como a survodutida.

O desenvolvimento clínico da mazdutida está concentrado na China (programas GLORY e DREAMS). É uma molécula investigacional, sem registro na ANVISA. Este conteúdo descreve dados de pesquisa.

Como age no corpo

Mazdutida ativa dois receptores com efeitos que se somam:

  • Braço GLP-1. Estimula secreção de insulina dependente de glicose, reduz glucagon pós-prandial, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade central — os efeitos típicos da classe GLP-1.
  • Braço glucagon. Adiciona um componente de aumento do gasto energético e de efeito sobre o metabolismo hepático, incluindo mobilização de lipídios no fígado. É o que distingue um coagonista de um agonista puro de GLP-1.
  • Efeito combinado. A hipótese é que a soma dos dois braços amplie a perda de peso e traga benefício metabólico adicional, sobretudo hepático.

O braço glucagon também explica por que o perfil de segurança de um coagonista precisa de caracterização própria — por exemplo, quanto a frequência cardíaca e parâmetros metabólicos. As doses do ensaio de fase 2 (3, 4,5 e 6 mg semanais) são de protocolo de pesquisa; não há esquema aprovado por bula no Brasil.

O que os estudos mostram

A evidência publicada em revista indexada de referência é o ensaio de fase 2 em diabetes tipo 2 de Zhang e colaboradores.

Zhang 2024 (PMID 37943529, Diabetes Care). Ensaio de fase 2 duplo-cego, controlado por placebo e por comparador ativo (dulaglutida), com 250 pacientes chineses com diabetes tipo 2 randomizados em cinco braços: mazdutida 3 mg (n=51), 4,5 mg (n=49), 6 mg (n=49), dulaglutida (n=50) e placebo (n=51), por 20 semanas. O desfecho primário foi a variação da HbA1c.

Resultados em 20 semanas: as reduções médias de HbA1c com a mazdutida variaram de −1,41% a −1,67%, e a variação percentual do peso foi dose-dependente, chegando a −7,1% na dose mais alta.

A leitura honesta: é um ensaio de fase 2, de curto prazo (20 semanas) e em população chinesa — o que é relevante porque parte do desenvolvimento da mazdutida foca justamente nessa população. Mostra sinal consistente de eficácia glicêmica e ponderal, mas não é um ensaio de desfecho de longo prazo. Os resultados de fase 3 (programas GLORY e DREAMS) devem ser interpretados à medida que forem publicados e revisados, sem antecipar conclusões a partir da fase 2.

Status regulatório no Brasil

ANVISA. A mazdutida não tem registro na ANVISA e não possui indicação aprovada no Brasil. Seu desenvolvimento clínico avança principalmente na China. Não há apresentação comercial registrada.

Enquadramento. Como molécula investigacional, qualquer uso seria sob protocolo de pesquisa. Este conteúdo descreve dados de ensaios, não uma bula vigente, e não constitui recomendação de uso.

Classe. A mazdutida é um coagonista GLP-1/glucagon; por não estar registrada, não se enquadra em bula brasileira. A retenção de receita da RDC nº 973/2025 se aplica aos agonistas de GLP-1 já registrados no país.

O que sabemos

  • Mazdutida é um coagonista GLP-1/glucagon derivado da oxintomodulina, de aplicação subcutânea semanal.
  • Na fase 2 em DM2 chineses (Zhang 2024, n=250), reduziu a HbA1c em 1,41 a 1,67 ponto e até 7,1% do peso em 20 semanas.
  • O braço glucagon adiciona gasto energético e efeito hepático ao braço GLP-1.
  • O desenvolvimento clínico avança sobretudo na China (programas GLORY e DREAMS).
  • Não tem registro na ANVISA e permanece investigacional no Brasil.

O que ainda não sabemos

  • Os resultados definitivos de fase 3 (GLORY/DREAMS), que ainda devem ser lidos à medida que forem publicados e revisados.
  • Segurança de longo prazo e desfechos cardiovasculares do coagonista.
  • Como o perfil de eficácia e segurança se comporta fora da população chinesa, incluindo pacientes brasileiros.

Por que importa

A mazdutida é parte de uma leva de coagonistas que buscam ir além do GLP-1 puro somando o receptor de glucagon — e é também um exemplo de que boa parte da inovação metabólica hoje corre fora do eixo EUA/Europa, com forte desenvolvimento na China. Entender que a evidência consolidada é de fase 2 e majoritariamente em população chinesa é o que separa expectativa de eficácia comprovada em desfechos de longo prazo.

A pephealth não recomenda nem desaconselha a mazdutida — é uma molécula investigacional, sem registro no Brasil. A função desta ficha é descrever, com transparência sobre o que existe na literatura indexada: o mecanismo de coagonismo GLP-1/glucagon, o resultado real da fase 2 (Zhang 2024) com seu enquadramento de curto prazo e população, e o status regulatório atual.

Para outro coagonista com braço glucagon, ver /peptideos/survodutide. Para o triagonista que soma ainda o GIP, ver /peptideos/retatrutida. Para o agonista puro de GLP-1 de referência, ver /peptideos/semaglutida.

Perguntas frequentes

O que é a mazdutida?
+
A mazdutida (também escrita mazdutide; códigos IBI362 e LY3305677) é um peptídeo coagonista que ativa dois receptores ao mesmo tempo: o de GLP-1 e o de glucagon. Ela deriva da oxintomodulina, um hormônio intestinal que naturalmente age nesses dois receptores. A ideia é combinar a saciedade e o controle glicêmico do braço GLP-1 com o aumento do gasto energético do braço glucagon. Está em desenvolvimento clínico sobretudo na China (programas GLORY e DREAMS) e não tem registro na ANVISA.
Para que serve a mazdutida?
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A mazdutida vem sendo estudada para diabetes tipo 2 e obesidade. A evidência publicada em revista indexada inclui um ensaio de fase 2 em pacientes chineses com diabetes tipo 2, e o desenvolvimento avança nos programas GLORY e DREAMS. É uma molécula investigacional, sem indicação aprovada no Brasil. Este conteúdo descreve dados de pesquisa, não uma bula, e não constitui recomendação de uso.
Quanto a mazdutida reduz a glicemia e o peso?
+
No ensaio de fase 2 em pacientes chineses com diabetes tipo 2 (Zhang 2024, Diabetes Care, n=250), as reduções médias de HbA1c da linha de base à semana 20 variaram de 1,41 a 1,67 ponto percentual com a mazdutida, e a perda de peso foi dose-dependente, chegando a cerca de 7,1%. São dados de fase 2, de curto prazo (20 semanas) e em população chinesa; os resultados de fase 3 (programas GLORY/DREAMS) devem ser lidos à medida que forem publicados e revisados.
Qual a diferença entre mazdutida e semaglutida?
+
A semaglutida é um agonista puro do receptor de GLP-1. A mazdutida é um coagonista: ativa o receptor de GLP-1 e também o de glucagon. O braço glucagon adiciona um componente de gasto energético e de efeito hepático que o agonista puro não tem — o racional para potencialmente ampliar a perda de peso e beneficiar o fígado gorduroso. Na prática, porém, a semaglutida já tem registro e ampla evidência de fase 3, enquanto a mazdutida permanece investigacional, com evidência de fase 2 publicada.
A mazdutida é aprovada pela ANVISA?
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Não. A mazdutida não tem registro na ANVISA e não possui indicação aprovada no Brasil. Seu desenvolvimento clínico avança principalmente na China. Qualquer menção a doses ou eficácia neste conteúdo se refere a dados de ensaios (fase 2), não a uma bula vigente. Não há apresentação comercial registrada no Brasil, e o conteúdo é descritivo, sem recomendação de uso.

Estudos citados

1 referência
  1. 01
    Zhang B, Cheng Z, Chen J, Zhang X, Liu D, Jiang H, Ma G, Wang X, Gan S, Sun J, et al.. Efficacy and Safety of Mazdutide in Chinese Patients With Type 2 Diabetes: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Phase 2 Trial · Diabetes Care, 2024 · RCT de fase 2 duplo-cego, controlado por placebo e por comparador ativo (dulaglutida) — mazdutida subcutânea semanal 3 mg, 4,5 mg ou 6 mg em pacientes chineses com diabetes tipo 2; 20 semanasn = 250

    Distribuição: mazdutida 3 mg (n=51), 4,5 mg (n=49), 6 mg (n=49), dulaglutida (n=50), placebo (n=51). As reduções médias de HbA1c da linha de base à semana 20 variaram de −1,41% a −1,67% com mazdutida; a variação percentual do peso foi dose-dependente, chegando a −7,1%. Evidência de fase 2, curto prazo (20 semanas), população chinesa.

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