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Estudo em foco·Segurança

Semaglutida e câncer medular de tireoide: o que diz o black box do FDA

Black box do FDA contraindica semaglutida com história pessoal ou familiar de MTC e MEN-2. Base é sinal em roedores; em humanos, Bezin 2023 sugere associação com tireoide, sem comprovar causalidade.

PorAmanda MatsudaPublicado17 de junho de 2026Leitura~8 min
Ilustração editorial pephealth — Semaglutida e câncer medular de tireoide: o que diz o black box do FDA

TL;DR

A bula americana (FDA) de semaglutida (Ozempic, Wegovy) traz um boxed warning sobre tumores de células C da tireoide observados em roedores expostos cronicamente. A contraindicação formal é para pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide (MTC) ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN-2) — mesma contraindicação aplicada a tirzepatida, liraglutida e demais agonistas GLP-1. O sinal biológico é claro em roedores, onde células C parafoliculares expressam receptor GLP-1 em densidade que não se reproduz em humanos. Em pessoas, a evidência epidemiológica é heterogênea: o estudo francês de Bezin 2023 (PMID 36383487) sugere aumento de risco de câncer tireoidiano (HR 1,58) e medular (HR 1,78) com uso de 1-3 anos, mas coortes escandinavas (Funch 2020, Pasternak 2024) não reproduziram o achado. Limitações estruturais — viés de detecção, viés de indicação, semaglutida sub-representada nas coortes francesas — impedem inferência causal. A ANVISA reproduz a contraindicação de MTC familial e MEN-2 nas bulas brasileiras. Rastreamento ativo de MTC em paciente sem fator de risco antes ou durante GLP-1 RA não é recomendado. Triagem por história familiar é obrigatória pré-prescrição.

O ponto biológico — por que o sinal aparece em roedores

A questão começa em pré-clínica. Em estudos de carcinogenicidade obrigatórios para aprovação regulatória, camundongos e ratos expostos cronicamente a liraglutida, exenatida e semaglutida em doses supraterapêuticas mostraram aumento dose-dependente na incidência de tumores de células C da tireoide (adenomas e carcinomas). O efeito foi consistente entre moléculas e proporcional à magnitude e à duração da exposição.

A célula C parafolicular é responsável pela produção de calcitonina. Em roedores, ela expressa receptor GLP-1 em densidade significativa, e o agonismo crônico produz proliferação celular que, em exposição vitalícia, evolui para neoplasia.

Em humanos a história é diferente. A expressão de receptor GLP-1 em células C parafoliculares humanas é quantitativamente menor que em roedores e a evidência morfológica de proliferação induzida por GLP-1 em humanos é fraca a inexistente. Esse desacoplamento interspécie é a razão pela qual o FDA classificou o sinal como precaução e não como contraindicação universal — o boxed warning reflete a obrigação regulatória de comunicar dados pré-clínicos, não uma afirmação de causalidade humana.

O carcinoma medular da tireoide (MTC) — contexto epidemiológico

O MTC corresponde a aproximadamente 1-2% dos cânceres tireoidianos. É um tumor neuroendócrino derivado das células C — distinto, biológica e clinicamente, dos cânceres tireoidianos foliculares (papilífero, folicular, anaplásico), que derivam de células foliculares produtoras de hormônio tireoidiano.

Cerca de 75% dos casos de MTC são esporádicos, sem causa hereditária identificada. Os 25% restantes são hereditários, geralmente no contexto de:

  • MEN-2A (MTC + feocromocitoma + hiperparatireoidismo)
  • MEN-2B (MTC + feocromocitoma + ganglioneuromatose + habitus marfanoide)
  • FMTC (carcinoma medular familiar isolado)

Todas as formas hereditárias estão associadas a mutações no proto-oncogene RET. Para pacientes com mutação RET conhecida ou família com MEN-2, MTC ocorre em quase 100% dos portadores se não tratados — manejo padrão envolve tireoidectomia profilática em infância em casos selecionados.

Esse contexto explica por que o FDA aplica a contraindicação formal especificamente a paciente com história pessoal ou familiar de MTC ou MEN-2 — populações nas quais o risco basal é dramaticamente elevado e qualquer estímulo proliferativo pode acelerar progressão.

A bula do FDA — o que diz, exatamente

O boxed warning de Ozempic (semaglutida 0,25-2,0 mg para DM2) e Wegovy (semaglutida 2,4 mg para obesidade) traz texto substancialmente idêntico:

Risk of Thyroid C-Cell Tumors: In rodents, semaglutide causes a dose-dependent and treatment-duration-dependent increase in the incidence of thyroid C-cell tumors (adenomas and carcinomas) after lifetime exposure. It is unknown whether OZEMPIC causes such tumors, including medullary thyroid carcinoma (MTC), in humans, as the human relevance of semaglutide-induced rodent thyroid C-cell tumors has not been determined. OZEMPIC is contraindicated in patients with a personal or family history of MTC or in patients with Multiple Endocrine Neoplasia syndrome type 2 (MEN 2). Counsel patients regarding the potential risk for MTC with the use of OZEMPIC and inform them of symptoms of thyroid tumors (e.g., a mass in the neck, dysphagia, dyspnea, persistent hoarseness).

O texto é precaucional: reconhece o sinal pré-clínico, admite incerteza humana e estabelece contraindicação para a população de maior risco basal. A contraindicação se aplica a toda a classe agonista GLP-1 (semaglutida, tirzepatida, liraglutida, dulaglutida, exenatida) em bulas FDA, EMA e ANVISA.

O sinal humano — Bezin 2023 e a controvérsia

A discussão epidemiológica humana ganhou tração com Bezin et al, Diabetes Care 2023 (PMID 36383487).

Desenho. Estudo de coorte com análise caso-controle aninhada na base SNDS (sistema francês de saúde universal), 2006-2018. População: pacientes com DM2 iniciando segunda linha de tratamento. Casos: 2562 incidentes de câncer de tireoide; pareados com até 20 controles por caso (densidade de incidência).

Resultados.

  • Uso atual de agonista GLP-1: HR 1,58 (IC 95% 1,27-1,95) para câncer de tireoide geral
  • Uso atual de agonista GLP-1: HR 1,78 (IC 95% 1,04-3,05) para carcinoma medular
  • Associação mais forte em 1-3 anos de uso cumulativo
  • Análise restrita a exenatida, liraglutida, dulaglutida, exenatida-LAR, lixisenatida
  • Semaglutida sub-representada — entrou no mercado francês tarde demais para inclusão robusta na janela de análise

Limitações estruturais.

  • Viés de detecção: pacientes em uso de GLP-1 RA fazem mais consultas, mais exames laboratoriais (TSH, calcitonina) e mais ultrassom — aumenta a probabilidade de diagnosticar câncer tireoidiano subclínico (inclusive incidentalomas que talvez nunca causariam clínica)
  • Viés de indicação: pacientes prescritos GLP-1 RA têm perfil metabólico distinto de pacientes em sulfonilureias ou DPP-4
  • Confundimento residual: dados administrativos não capturam exposição a radiação ionizante (cabeça-pescoço), histórico familiar detalhado, mutação RET
  • População restrita: apenas DM2; não generaliza para uso em obesidade isolada
  • Geração de hipótese: padrão SNDS sugere associação, não causalidade

A própria Diabetes Care publicou carta-comentário apontando essas limitações e respostas dos autores reconhecendo o caráter exploratório do achado.

Coortes que não reproduziram o sinal

A evidência subsequente foi heterogênea — fato crítico para interpretação ponderada.

Funch et al (2020), coorte escandinava em pacientes em uso de liraglutida vs outros antidiabéticos: não identificou aumento estatisticamente significativo de incidência de câncer tireoidiano ou medular.

Pasternak et al, Lancet Diabetes Endocrinology (2024), coorte nórdica replicando análise com semaglutida vs outros antidiabéticos: sem aumento significativo de risco de câncer tireoidiano em pacientes em uso de semaglutida (incluindo análise por câncer medular).

Meta-análises consolidadas em 2024-2025 mostram que o sinal de Bezin não foi reproduzido em populações independentes, sustentando que (1) o achado francês pode refletir viés de detecção; (2) heterogeneidade entre moléculas (exenatida-LAR vs semaglutida) é possível mas não documentada; (3) o tempo de seguimento ainda é insuficiente para detectar câncer tireoidiano de longa latência em paciente em uso de semaglutida desde 2017-2018.

Implicação clínica em maio/2026

Triagem pré-prescrição é obrigatória. Em consulta antes de iniciar semaglutida, tirzepatida ou liraglutida:

  • Anamnese explícita: história pessoal de câncer de tireoide; história familiar de MTC em parente de primeiro grau; história de feocromocitoma ou hiperparatireoidismo (sugestivo de MEN-2)
  • Em caso de história familiar suspeita: considerar avaliação genética para mutação RET antes de optar por GLP-1 RA

Rastreamento sistemático em paciente sem fator de risco NÃO é recomendado.

  • Não há indicação de dosagem rotineira de calcitonina antes ou durante uso de GLP-1 RA em paciente sem história familiar
  • Não há indicação de ultrassom tireoidiano rotineiro para esse fim
  • O custo-benefício de rastreamento populacional é negativo — sensibilidade limitada, alta taxa de incidentalomas com manejo desnecessário, ansiedade do paciente

Em paciente já em uso com sintoma novo (massa cervical, disfagia persistente, rouquidão sem causa clara): investigação clínica padrão com ultrassom e, se necessário, biópsia. Não há indicação de descontinuar GLP-1 RA pela suspeita isolada — investigação primeiro, decisão segundo.

Em paciente com nódulo tireoidiano em investigação: caso a caso. Para nódulo Bethesda I-II (não-diagnóstico ou benigno), prosseguir com GLP-1 RA é razoável. Para Bethesda III-VI (atipia, suspeito ou maligno) em investigação, aguardar elucidação antes de iniciar é prudente.

A ANVISA — bula brasileira

A bula brasileira de semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) registrada pela ANVISA reproduz integralmente a contraindicação formal de uso em pacientes com história pessoal ou familiar de MTC ou MEN-2, alinhada ao boxed warning do FDA. Esse alinhamento é padrão internacional — ANVISA, EMA e FDA convergem nessa contraindicação. Para o paciente em consulta no Brasil em 2026, a regra prática é: a triagem por história familiar de MTC ou MEN-2 deve ser parte obrigatória da avaliação pré-prescrição; documentação no prontuário é essencial.

O que NÃO concluir

Não concluir que GLP-1 RA causa câncer de tireoide em humanos. A evidência epidemiológica é heterogênea e dominada por estudos sujeitos a viés de detecção e indicação. O sinal pré-clínico em roedores reflete biologia específica de espécie.

Não concluir que o boxed warning é exagero ou marketing defensivo. É contraindicação formal aplicável a população de risco específico (MTC familial, MEN-2). A epidemiologia humana é insuficiente para abrir essa restrição.

Não confundir incidentaloma tireoidiano comum (cisto, nódulo folicular benigno) com fator de contraindicação. Esses achados não contraindicam GLP-1 RA.

Não rastrear ativamente paciente sem fator de risco. A diretriz é triagem por história, não rastreamento bioquímico ou imagiológico universal.

O que ainda não sabemos

  • Risco humano com 10+ anos de uso contínuo — semaglutida foi aprovada em 2017; tempo de seguimento ainda é insuficiente para câncer tireoidiano de longa latência
  • Heterogeneidade entre moléculas — se semaglutida ou tirzepatida diferem de liraglutida ou exenatida quanto a risco tireoidiano específico (questão biológica plausível, sem resposta empírica)
  • Mecanismo molecular humano — se expressão de receptor GLP-1 em células C humanas é variável entre indivíduos e se há subgrupos vulneráveis não-identificados
  • Comportamento em uso pediátrico crônico — exposição cumulativa em adolescentes em uso de liraglutida ou tirzepatida desde 12-13 anos é cenário sem dado de longo prazo

O que isso significa na prática

A relação entre GLP-1 RA e câncer medular da tireoide é uma das questões de segurança mais debatidas da classe. O boxed warning do FDA — contraindicação formal em pacientes com história pessoal ou familiar de MTC ou MEN-2 — é prudente, baseado em sinal pré-clínico claro em roedores. A evidência humana é heterogênea: Bezin 2023 sugere associação em coorte francesa; coortes escandinavas não reproduziram. Limitações metodológicas (viés de detecção, viés de indicação, semaglutida sub-representada) impedem inferência causal.

Para a prática clínica em 2026: triagem por história familiar é obrigatória antes de prescrever semaglutida, tirzepatida ou liraglutida. Rastreamento sistemático por calcitonina ou ultrassom em paciente sem fator de risco não é recomendado pelas diretrizes atuais. Em paciente já em uso com sintoma novo, investigação padrão; sem necessidade de descontinuação automática. A ANVISA replica a contraindicação — documentação da triagem no prontuário é boa prática médica.

Para aprofundar

Perguntas frequentes

Qual é exatamente o black box do FDA sobre semaglutida e tireoide?
+
O black box (boxed warning) na bula do FDA para [semaglutida](/peptideos/semaglutida) — incluindo Ozempic e Wegovy — afirma que em roedores semaglutida causou tumores de células C da tireoide (incluindo carcinoma medular) de forma dose-dependente após exposição prolongada. O texto reconhece que 'é desconhecido se semaglutida causa tais tumores em humanos, pois a relevância humana dos tumores observados em roedores não foi determinada'. Contraindicações formais são: história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide (MTC) ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN-2). Pacientes devem ser orientados sobre sintomas — massa cervical, disfagia, dispneia, rouquidão persistente.
Por que o sinal aparece em roedores e não está confirmado em humanos?
+
Em roedores (camundongos e ratos), as células C parafoliculares da tireoide expressam receptor GLP-1 em densidade significativa. Agonismo crônico produz proliferação dose-dependente e, em exposição vitalícia em doses elevadas, neoplasia. Em humanos, a expressão de receptor GLP-1 nas células C é quantitativamente menor e o padrão de proliferação observado em roedores não foi reproduzido em estudos com agonistas GLP-1 em pessoas adultas. Esse achado biológico interspécie é a razão pela qual o FDA mantém o boxed warning como precaução, sem afirmar causalidade humana. O carcinoma medular da tireoide (MTC) é raro (~1-2% dos cânceres tireoidianos); a maioria dos casos é esporádica, mas ~25% são hereditários (MEN-2A, MEN-2B, FMTC) associados a mutação RET.
O que mostrou o estudo de Bezin 2023?
+
Bezin et al, Diabetes Care 2023 ([PMID 36383487](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36383487/)), analisou a base SNDS (sistema francês de saúde) entre 2006-2018 em pacientes com DM2 em segunda linha terapêutica. Caso-controle aninhado: 2562 casos de câncer de tireoide pareados com até 20 controles. Uso atual de agonista GLP-1 associado a aumento de 58% no risco geral de câncer de tireoide (HR 1,58; IC 95% 1,27-1,95) e 78% no risco específico de carcinoma medular (HR 1,78; IC 95% 1,04-3,05), com associação mais forte em 1-3 anos de uso cumulativo. Limitações importantes: estudo observacional sem causalidade; viés de detecção plausível (pacientes em agonista GLP-1 fazem mais exames laboratoriais e por imagem); semaglutida teve tempo de mercado insuficiente para inclusão robusta — análise dominada por exenatida, liraglutida e dulaglutida; população restrita a DM2 (não obesidade). Geração de hipótese, não confirmação.
Outros estudos epidemiológicos mostraram o mesmo sinal?
+
Não — a evidência epidemiológica é heterogênea. Funch et al (2020) em coorte escandinava de pacientes em uso de liraglutida não encontrou aumento de incidência de câncer tireoidiano ou medular comparado a outros antidiabéticos. Pasternak et al em Lancet Diabetes Endocrinology (2024) replicou análise com semaglutida em base nórdica, também sem aumento estatisticamente significativo de risco. A meta-análise consolidada disponível em 2026 sustenta que (1) o sinal de Bezin não foi reproduzido em populações independentes; (2) viés de detecção e indicação são limitações estruturais difíceis de eliminar; (3) o boxed warning é precaucional, baseado em modelo animal. Para o clínico: rastreamento ativo de MTC em paciente em uso de GLP-1 RA sem fator de risco familiar não é recomendado.
Quando devo evitar semaglutida ou tirzepatida pelo risco tireoidiano?
+
Evitar (contraindicação formal): (1) história pessoal de carcinoma medular da tireoide (MTC); (2) história familiar de MTC em parente de primeiro grau; (3) síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN-2A, MEN-2B) — mutação RET conhecida ou suspeita. A contraindicação se aplica também a [tirzepatida](/peptideos/tirzepatida), [liraglutida](/peptideos/liraglutida) e demais agonistas GLP-1. Para outros nódulos tireoidianos benignos comuns (cisto coloide, nódulo folicular benigno) sem suspeita de MTC, não há contraindicação. Rastreamento sistemático com calcitonina ou ultrassom tireoidiano em pacientes sem fator de risco antes ou durante uso de GLP-1 RA não é recomendado pelas diretrizes atuais. Para paciente com nódulo tireoidiano em investigação ou bócio multinodular: discutir caso a caso; pode-se aguardar elucidação diagnóstica antes de iniciar.
A ANVISA reproduz a mesma advertência?
+
Sim. A bula brasileira de semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) registrada pela ANVISA reproduz a contraindicação formal de uso em pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou MEN-2, alinhada ao boxed warning do FDA. Esse alinhamento é padrão regulatório internacional — ANVISA, EMA e FDA convergem nessa contraindicação. Para o paciente em consulta no Brasil: a triagem por história familiar de MTC ou MEN-2 deve ser parte obrigatória da avaliação pré-prescrição. Em caso de história familiar, considerar avaliação genética antes de optar por GLP-1 RA — alternativas terapêuticas (intervenção comportamental intensiva, outras farmacoterapias) podem ser priorizadas.

Estudos citados

3 referências
  1. 01
    Bezin J, Gouverneur A, Pénichon M, Mathieu C, Garrel R, Hillaire-Buys D, Pariente A, Faillie JL. GLP-1 Receptor Agonists and the Risk of Thyroid Cancer · Diabetes Care, 2023 · Estudo de coorte com análise caso-controle aninhada na base SNDS (sistema francês de saúde), 2006-2018, em pacientes com DM2 em segunda linha

    Diabetes Care 2023;46(2):384-390. Uso atual de agonistas GLP-1 associado a aumento de 58% no risco de câncer de tireoide (HR 1,58; IC 95% 1,27-1,95) e aumento de 78% no risco de câncer medular (HR 1,78; IC 95% 1,04-3,05) em pacientes com 1-3 anos de uso cumulativo. Análise restrita a exenatida, liraglutida, dulaglutida, exenatida-LAR, lixisenatida — semaglutida com tempo de mercado insuficiente para inclusão robusta. Geração de hipótese; viés de detecção é limitação conhecida.

    observacional
  2. 02
    U.S. Food and Drug Administration. OZEMPIC (semaglutide) injection — Highlights of Prescribing Information · FDA Drug Label, 2025 · Bula oficial aprovada pelo FDA — boxed warning

    Black box: 'In rodents, semaglutide causes thyroid C-cell tumors. It is unknown whether OZEMPIC causes such tumors, including medullary thyroid carcinoma (MTC), in humans, as the human relevance of semaglutide-induced rodent thyroid C-cell tumors has not been determined.' Contraindicações: história pessoal ou familiar de MTC ou MEN-2. Aplicável também a Wegovy (mesma molécula). Aconselhamento ao paciente sobre sintomas (massa cervical, disfagia, dispneia, rouquidão persistente).

    regulatório
  3. 03
    Bea S, Son H, Bae JH, Cho SW, Shin JY, Cho YM. Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists and Thyroid Cancer: A Narrative Review · Endocrinology and Metabolism (Seoul), 2024 · Revisão narrativa de estudos pré-clínicos e clínicos sobre risco tireoidiano de agonistas GLP-1

    Sintetiza o estado da evidência em 2024. Pré-clínica: aumento dose-dependente de tumores de células C em roedores expostos a liraglutida e exenatida (carcinogênese mediada por agonismo crônico de receptor GLP-1 expresso em células C de roedores). Em humanos, a expressão de receptor GLP-1 em células C parafoliculares é controversa e quantitativamente menor que em roedores. Sinais epidemiológicos heterogêneos: Bezin 2023 positivo; outras coortes (Funch 2020 escandinava, Pasternak 2024 Lancet Diabetes Endocrinol) negativas ou nulas. Consenso narrativo: incerteza persiste; contraindicação prudente em MTC familial mantida.

    revisão

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