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Explicação·Ciência básica

Eixo GH em mulheres e homens: o que muda e por quê

Pulsatilidade, amplitude e modulação por estradiol diferenciam o eixo somatotrópico entre sexos. A evidência por trás e o que isso implica para uso de secretagogos.

PorAmanda MatsudaPublicado11 de junho de 2026Leitura~11 min
Ilustração editorial pephealth — Eixo GH em mulheres e homens: o que muda e por quê

TL;DR

O eixo somatotrópico — hipotálamo, hipófise, fígado, IGF-1 — funciona com diferenças mensuráveis entre mulheres e homens. Mulheres pré-menopáusicas produzem mais GH integrado em 24 horas do que homens da mesma idade, com pulsos de maior amplitude. Essa diferença é mediada principalmente pelo estradiol, conforme estabelecido por Ho e Thorner em estudo seminal publicado em JCEM em 1987 (PMID 3782436) — após correção pela concentração de estradiol livre, nem sexo nem idade independentemente determinam a magnitude da secreção de GH. Veldhuis sintetizou evidência de duas décadas em revisões publicadas em 1996 (PMID 8616524) e 2003 (PMID 14964431), consolidando o estradiol como amplificador principal da arquitetura pulsátil de GH. As implicações práticas atravessam interpretação de IGF-1 em ciclo menstrual, escolha de via de reposição hormonal pós-menopausa (oral vs transdérmica) e expectativa de resposta a secretagogos como CJC-1295, ipamorelina ou MK-677 em populações que diferem das amostras dos estudos originais.

A arquitetura básica do eixo GH

Antes de comparar sexos, vale relembrar o panorama. O hormônio do crescimento (GH ou hGH) é um peptídeo de 191 aminoácidos secretado pelos somatotrofos da hipófise anterior. A secreção é pulsátil — não contínua — com pulsos de GH a cada poucas horas, variando em amplitude e frequência ao longo das 24 horas. O pulso de maior magnitude tipicamente ocorre nas primeiras horas de sono profundo (fase de ondas lentas), explicando a relação clínica entre qualidade de sono e secreção de GH.

A secreção pulsátil é controlada por duas vias hipotalâmicas com efeito oposto. GHRH (Growth Hormone-Releasing Hormone) estimula liberação. Somatostatina inibe. A interação entre essas duas vias — em modulação por feedback do próprio GH e do IGF-1 circulantes — gera o padrão pulsátil. A ghrelina endógena, produzida principalmente pelo estômago, oferece uma segunda via estimulatória, atuando em receptor distinto (GHSR-1a) e contribuindo para o tônus secretor do eixo.

GH circulante estimula o fígado a produzir IGF-1, que medeia parte significativa dos efeitos sistêmicos do eixo somatotrópico — anabolismo proteico, lipólise, crescimento ósseo linear, modulação metabólica. IGF-1 sérico é a leitura habitual de "atividade média" do eixo GH em escala de dias a semanas, com flutuação muito menor que GH (que muda em minutos).

A arquitetura básica é a mesma em mulheres e homens. O que difere é a calibragem — amplitude dos pulsos, ritmo circadiano, modulação por hormônios sexuais, resposta a estímulos provocativos e perfil de IGF-1 esperado. Essas diferenças não são acessórios curiosos; têm consequências clínicas relevantes.

A diferença basal — mulheres produzem mais GH

A observação fundamental, hoje consolidada, veio do estudo de Ho, Evans, Blizzard, Veldhuis, Merriam, Samojlik, Furlanetto, Rogol, Kaiser e Thorner publicado em JCEM em 1987 (PMID 3782436). O estudo, conduzido na University of Virginia, fez amostragem de GH a cada 20 minutos por 24 horas em adultos saudáveis estratificados por sexo e idade, com medida concomitante de estradiol livre, testosterona e outros marcadores hormonais.

Os achados principais:

  • A concentração total integrada de GH em 24 horas foi significativamente maior em mulheres do que em homens.
  • A amplitude dos pulsos de GH foi maior em mulheres pré-menopáusicas.
  • A correlação entre estradiol livre e amplitude de pulsos de GH foi positiva e significativa.
  • Após correção estatística pelo efeito do estradiol, nem sexo nem idade independentemente determinaram a magnitude da secreção integrada de GH ou a amplitude média dos pulsos.

A conclusão foi clara: o estradiol é o mediador hormonal principal das diferenças de sexo na arquitetura de GH. A magnitude do efeito é tal que a diferença entre sexos atenua-se substancialmente após a menopausa, quando o estradiol cai para níveis baixos comparáveis aos masculinos.

Veldhuis, em revisão publicada em European Journal of Endocrinology em 1996 (PMID 8616524), consolidou a evidência subsequente. A divergência de amplitude na secreção pulsátil de GH entre homens e mulheres pré-menopáusicas era reproduzida em múltiplos estudos. O padrão também se modulava dentro do ciclo menstrual — amplitude maior na fase folicular tardia e em torno da ovulação, quando os níveis de estradiol estão mais altos.

Em revisão posterior em Journal of Endocrinological Investigation em 2003 (PMID 14964431), Veldhuis e Bowers sintetizaram duas décadas de evidência. Mulheres pré-menopáusicas têm secreção basal e pulsatilidade médias maiores que homens da mesma idade. Após a menopausa, a queda do estradiol é acompanhada por convergência progressiva do padrão feminino para padrões similares aos masculinos da mesma idade.

O que o estradiol faz no eixo GH

O estradiol modula o eixo somatotrópico em múltiplos níveis. Os mecanismos descritos em literatura incluem:

Aumento da amplitude dos pulsos de GH — o efeito clinicamente mais documentado. O estradiol amplifica a liberação de GH em cada pulso secretor, sem necessariamente alterar a frequência dos pulsos. O resultado é maior concentração média integrada de GH em 24 horas.

Modulação central do tônus somatostatinérgico — evidência preclínica sugere que o estradiol reduz o tônus inibitório da somatostatina, permitindo que cada pulso de GHRH se traduza em pulso de GH de maior magnitude.

Sensibilização dos somatotrofos a estímulos — em modelos animais, a exposição ao estradiol aumenta a responsividade dos somatotrofos a GHRH e a agonistas de GHSR-1a, com base molecular envolvendo regulação de receptores e vias intracelulares.

Modulação hepática da produção de IGF-1 — efeito complexo. Estradiol exógeno administrado por via oral (que sofre primeira passagem hepática significativa) reduz a produção hepática de IGF-1, criando padrão de resistência parcial ao GH no fígado. Estradiol endógeno em ciclo natural ou estradiol transdérmico (sem primeira passagem hepática significativa) não tem o mesmo efeito supressor sobre IGF-1.

Essa última distinção é clinicamente relevante. Mulheres pós-menopausa em terapia de reposição hormonal com estrógeno oral podem ter IGF-1 sérico baixo apesar de função hipofisária preservada — porque o estrógeno oral suprime a produção hepática de IGF-1 mesmo na presença de GH adequado. Reposição transdérmica não tem o mesmo efeito e é frequentemente preferida em mulheres com indicação concomitante de tratamento para deficiência de GH (Molitch 2011, PMID 21602453, discute essa interação em diretrizes para manejo de GHD adulta).

A modulação ao longo do ciclo menstrual

Em mulheres em ciclo menstrual natural, o padrão de secreção de GH varia entre as fases. A literatura disponível, embora não unânime em magnitudes, descreve tendências consistentes:

Fase folicular inicial (dias 1-7) — estradiol baixo. Amplitude de pulsos de GH menor, padrão pulsátil mais próximo do masculino.

Fase folicular tardia e período periovulatório (dias 8-14) — estradiol em ascensão, com pico pré-ovulatório. Amplitude de pulsos de GH aumenta. Concentração média integrada de GH em 24 horas atinge valores maiores no ciclo.

Fase lútea (dias 15-28) — estradiol e progesterona elevados. Amplitude de pulsos de GH relativamente preservada, com possível modulação adicional pela progesterona ainda não completamente caracterizada na literatura.

A magnitude dessas variações dentro do ciclo é menor que a diferença entre mulheres pré-menopáusicas e pós-menopáusicas, mas é mensurável em estudos com amostragem frequente. Para uso clínico, a implicação principal está na interpretação de IGF-1 — embora a flutuação de IGF-1 ao longo do ciclo seja muito menor que a flutuação de GH (porque IGF-1 reflete atividade média de dias, não pulsos), padrões diferentes na coleta podem contribuir para variabilidade de resultados em estudos com mulheres em ciclo natural.

Implicações para uso de secretagogos

A maior parte dos ensaios clínicos com secretagogos de GH — CJC-1295, ipamorelina, MK-677, hexarelina, GHRP-2, sermorelina, tesamorelina — foi conduzida em populações predominantemente masculinas ou em mulheres pós-menopáusicas. Nass 2008 (PMID 18981485), o maior estudo com MK-677, recrutou idosos saudáveis de 60-81 anos, populações em que o efeito do estradiol é mínimo. Teichman 2006 (PMID 16352683), o estudo seminal com CJC-1295, recrutou predominantemente adultos jovens — sem estratificação extensiva por sexo nos achados principais.

A consequência prática:

Extrapolação de magnitudes de resposta — quando se diz que CJC-1295 (com DAC) eleva IGF-1 em 1,5-3x basal, ou que MK-677 eleva IGF-1 em 40-50%, esses números vêm predominantemente de populações em que o efeito modulador do estradiol é menor. Mulheres pré-menopáusicas em ciclo natural podem ter respostas diferentes — provavelmente atenuadas em alguns parâmetros, possivelmente potencializadas em outros, dependendo da fase do ciclo no momento da exposição.

Monitoramento de IGF-1 — em mulheres em uso de secretagogo, a interpretação do IGF-1 sérico deve considerar a fase do ciclo no momento da coleta para reduzir variabilidade. Padronizar a coleta na mesma fase em medidas seriadas é boa prática, embora a magnitude do efeito sobre IGF-1 seja modesta em comparação com o efeito sobre GH agudo.

Mulheres em reposição hormonal pós-menopausa — quem usa estrógeno oral pode ter IGF-1 sérico baixo apesar da resposta hipofisária ao secretagogo. Interpretar IGF-1 como medida de "efeito" do secretagogo nessa população requer cautela. Mulheres em reposição transdérmica não têm essa interferência hepática.

Diferenças de sensibilidade a estímulos provocativos — em testes diagnósticos de GH (GHRH+arginina, ITT, GHRP-2 no Japão), a resposta esperada e os valores de corte para diagnóstico de GHD são frequentemente padronizados em populações que misturam sexos e idades. A literatura discute valores de corte ajustados por sexo e índice de massa corporal — ver, por exemplo, Cut-off Limits for ITT 2020 (PMID 32335555). A diretriz de Molitch 2011 (PMID 21602453) discute esses ajustes em recomendações específicas para diagnóstico de GHD adulta.

O fator confundidor que sempre aparece — adiposidade

O índice de massa corporal (IMC) e particularmente a adiposidade visceral são determinantes fortes e independentes da dinâmica de GH em ambos os sexos. Roelfsema e Veldhuis documentaram em estudo publicado em Neuroendocrinology em 2016 (PMID 26228064) que o IMC atenua amplitude de pulsos e produção total de GH — efeito que se sobrepõe ao efeito do sexo e da idade.

A relação é não-linear. Em IMC normal, as diferenças entre sexos são as descritas acima — amplitude maior em mulheres pré-menopáusicas, mediada pelo estradiol. À medida que o IMC sobe, a secreção de GH cai em ambos os sexos, e a diferença entre eles tende a atenuar. Em obesidade grave (IMC >35), a supressão da secreção de GH é tão pronunciada que pode mimetizar deficiência hipofisária verdadeira em testes provocativos. Esse fenômeno — "GHD funcional" da obesidade — é distinto de hipopituitarismo orgânico e é parcialmente reversível com perda de peso.

A implicação clínica é dupla. Primeiro, interpretar IGF-1 e testes provocativos de GH em pessoas com obesidade significativa exige cautela — o IMC deve fazer parte da interpretação. Segundo, esperar resposta uniforme a secretagogos em populações heterogêneas em IMC é irrealista — pessoas com adiposidade visceral elevada podem ter resposta atenuada que não reflete falha do medicamento.

A interação entre sexo e IMC nessa modulação é complexa. Mulheres com obesidade central frequentemente perdem mais o "amplificador" do estradiol sobre a secreção de GH do que mulheres com peso adequado — possivelmente por alteração do metabolismo periférico do estradiol em tecido adiposo. Homens com obesidade central têm queda paralela na produção de GH, atenuando ainda mais a diferença entre sexos que existiria com IMC normal.

A somatopausa — perda do amplificador

A diminuição progressiva da secreção de GH com a idade — somatopausa — atinge homens e mulheres com ritmos distintos.

Em homens, a queda de amplitude dos pulsos de GH começa relativamente cedo (entre 30 e 50 anos é onde a queda é mais pronunciada por década) e continua progressiva. A testosterona modula parcialmente esse efeito; homens com hipogonadismo tendem a ter secreção de GH mais reduzida do que homens com testosterona preservada para a idade.

Em mulheres pré-menopáusicas, a manutenção do estradiol em níveis fisiológicos preserva relativamente a amplitude dos pulsos de GH. A queda durante a transição menopáusica é acelerada — com a queda do estradiol, a "amplificação" se perde, e o padrão converge progressivamente para o masculino da mesma idade.

Após a menopausa, mulheres e homens da mesma faixa etária têm padrões de secreção de GH mais similares. As diferenças residuais são parcialmente explicadas pela testosterona em homens (que tem efeito modulador menor que o do estradiol em mulheres jovens) e por características individuais de composição corporal.

Veldhuis e Bowers em 2003 (PMID 14964431) detalham essa trajetória diferencial. A consequência conceitual é que a "deficiência de GH relacionada à idade" — proposta como construto na literatura de medicina anti-aging — tem cronologia diferente para mulheres e homens. A pergunta sobre se essa deficiência relativa justifica intervenção é diferente do diagnóstico clínico de GHD adulta (que requer testes provocativos confirmatórios conforme Molitch 2011, PMID 21602453) — e a literatura clínica não autoriza o salto entre uma e outra.

O que isso significa na prática clínica

Para o prescritor que avalia uso de secretagogos em populações reais — não nas amostras padronizadas dos ensaios originais — as implicações são concretas.

Antes de prescrever — considerar a idade, o sexo, o status menopáusico em mulheres, o índice de massa corporal, a presença de reposição hormonal (e qual via — oral ou transdérmica), o uso de outros medicamentos que afetam o eixo somatotrópico. Esses fatores modulam a resposta esperada e devem informar tanto a decisão de prescrever quanto a interpretação subsequente de IGF-1.

Na coleta de IGF-1 para monitoramento — em mulheres em ciclo natural, padronizar a fase do ciclo nas coletas seriadas reduz variabilidade. Em mulheres em reposição hormonal pós-menopausa, anotar a via (oral vs transdérmica) é essencial para interpretação. Em pacientes com IMC elevado, comparar IGF-1 com a faixa de referência para idade e sexo, mas reconhecer que o efeito da obesidade pode complicar a leitura.

Na expectativa de resposta — não esperar magnitudes idênticas às reportadas em ensaios com populações distintas das do paciente real. Mulheres pré-menopáusicas podem ter resposta diferente das amostras predominantemente masculinas ou pós-menopáusicas dos estudos seminais. Pessoas com IMC elevado podem ter resposta atenuada que reflete o fenômeno biológico, não falha do medicamento.

Em mulheres considerando uso para fertilidade ou ciclo menstrual — atenção especial. O eixo GH-IGF-1 interage com o eixo reprodutivo de formas complexas, e modulação significativa por secretagogo em mulher em idade fértil deve passar por avaliação ginecológica e endocrinológica integrada. Gravidez e lactação são contraindicações em todas as fichas de peptídeos da pephealth — não há dados de segurança em literatura clínica revisada por pares para uso de secretagogos nesses contextos.

Para aprofundar

Perguntas frequentes

Mulheres produzem mais GH do que homens?
+
Sim, mulheres pré-menopáusicas produzem mais GH integrado em 24 horas do que homens da mesma idade. Ho 1987 (JCEM, PMID 3782436) documentou que a concentração total integrada de GH em amostragem de 24 horas era significativamente maior em mulheres. A diferença é mediada principalmente pelo estradiol — após correção pela concentração de estradiol livre, nem sexo nem idade independentemente influenciaram a magnitude de produção de GH. Após a menopausa, com a queda do estradiol, a diferença entre sexos atenua-se substancialmente.
O ciclo menstrual altera a secreção de GH?
+
Sim, embora o efeito tenha magnitude variável e seja mais aparente em estudos com amostragem frequente. A amplitude dos pulsos de GH é maior na fase folicular tardia e em torno da ovulação, quando os níveis de estradiol estão mais altos. Na fase lútea (com estradiol e progesterona elevados), o padrão é diferente — a literatura sugere amplitude relativamente preservada com possível efeito modulador da progesterona ainda não completamente caracterizado. Veldhuis 1996 (Eur J Endocrinol, PMID 8616524) documenta essas variações e propõe o estradiol como amplificador principal da arquitetura pulsátil de GH em mulheres em ciclo natural.
Por que essas diferenças importam para uso de secretagogos como CJC-1295 ou MK-677?
+
Implicação prática principal: a resposta esperada de GH e IGF-1 a um secretagogo varia entre homens e mulheres, e dentro de mulheres ao longo do ciclo menstrual e ao longo da vida (menopausa). Estudos clínicos de secretagogos frequentemente recrutam predominantemente homens ou idosos pós-menopáusicos, populações em que o efeito do estradiol é mínimo. Extrapolar magnitudes de elevação de IGF-1 desses estudos para mulheres pré-menopáusicas em ciclo natural pode subestimar ou superestimar a resposta esperada. O monitoramento de IGF-1 em mulheres em uso de secretagogo deve considerar a fase do ciclo no momento da coleta — embora a magnitude do efeito do ciclo sobre IGF-1 seja modesta em comparação com o efeito agudo sobre GH.
Reposição hormonal com estrógeno altera o eixo GH?
+
Sim, e o tipo de reposição importa. Estrógeno oral, por sofrer primeira passagem hepática significativa, suprime a produção hepática de IGF-1 — efeito paradoxal que pode reduzir IGF-1 sérico apesar de aumento de GH (resistência hepática parcial ao GH). Estrógeno transdérmico não sofre essa primeira passagem hepática significativa e tem efeito muito menor sobre a produção de IGF-1. Essa diferença é relevante clínicamente: mulheres em terapia de reposição hormonal pós-menopausa que recebem estrógeno oral podem ter IGF-1 sérico baixo mesmo com função hipofisária preservada, o que pode levar a interpretação errada como suspeita de GHD. Reposição transdérmica é frequentemente preferida em mulheres com indicação de tratamento concomitante para deficiência de GH.
Homens perdem GH mais rápido com a idade do que mulheres?
+
A resposta é nuançada. Em ambos os sexos, a amplitude e a frequência dos pulsos de GH decaem com a idade — fenômeno conhecido como somatopausa. Veldhuis 2003 (J Endocrinol Invest, PMID 14964431) documenta que homens experimentam queda mais pronunciada de amplitude de pulsos entre os 30 e 50 anos, enquanto mulheres pré-menopáusicas mantêm amplitude relativamente preservada até a menopausa. Após a menopausa, a queda em mulheres acelera, eventualmente convergindo para padrões similares aos de homens da mesma idade. A interação com índice de massa corporal complica essa análise — Roelfsema & Veldhuis 2016 (PMID 26228064) mostra que o IMC é determinante forte e independente da dinâmica de GH em ambos os sexos.

Estudos citados

4 referências
  1. 01
    Ho KY, Evans WS, Blizzard RM, Veldhuis JD, Merriam GR, Samojlik E, Furlanetto R, Rogol AD, Kaiser DL, Thorner MO. Effects of sex and age on the 24-hour profile of growth hormone secretion in man: importance of endogenous estradiol concentrations · Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 1987 · Estudo observacional com amostragem de GH a cada 20 minutos por 24 horas em adultos saudáveis estratificados por sexo e idaden = 0

    Estudo seminal de Ho e Thorner que estabeleceu o papel do estradiol como modulador-chave da arquitetura pulsátil de GH. Concentração total integrada de GH foi significativamente maior em mulheres do que em homens. A correlação entre estradiol livre e amplitude de pulsos de GH foi positiva e significativa. Após correção pelo efeito do estradiol, nem sexo nem idade independentemente influenciaram a concentração integrada de GH ou a amplitude média dos pulsos — sugerindo que o estradiol é o mediador hormonal principal das diferenças de sexo na arquitetura de GH.

    ensaio clínicoPMID 3782436DOI
  2. 02
    Veldhuis JD. Gender differences in secretory activity of the human somatotropic (growth hormone) axis · European Journal of Endocrinology, 1996 · Revisão narrativa abrangente sobre diferenças de gênero na atividade secretora do eixo somatotrópico em humanosn = 0

    Veldhuis sintetiza evidência sobre divergência de amplitude na secreção pulsátil de GH entre homens e mulheres pré-menopáusicas, e o papel do estradiol como amplificador da secreção pulsátil. Documenta que mulheres em fase folicular tardia e ovulação têm maior amplitude de pulsos de GH do que em fase folicular inicial, padrão consistente com modulação pelo estradiol em ciclo natural.

    revisãoPMID 8616524
  3. 03
    Veldhuis JD, Bowers CY. Human GH pulsatility: an ensemble property regulated by age and gender · Journal of Endocrinological Investigation, 2003 · Revisão abrangente sobre pulsatilidade de GH como propriedade emergente regulada por idade e sexon = 0

    Veldhuis e Bowers consolidam evidência de duas décadas sobre os determinantes da pulsatilidade de GH em humanos. Documenta que mulheres pré-menopáusicas têm secreção basal e pulsatilidade médias maiores que homens da mesma idade, e que essa diferença atenua-se substancialmente após a menopausa (paralelo à queda do estradiol). A pulsatilidade decai progressivamente com a idade em ambos os sexos, mas o ritmo é diferente — homens perdem mais amplitude entre os 30 e 50 anos do que mulheres pré-menopáusicas.

  4. 04
    Roelfsema F, Veldhuis JD. Growth Hormone Dynamics in Healthy Adults Are Related to Age and Sex and Strongly Dependent on Body Mass Index · Neuroendocrinology, 2016 · Estudo observacional em adultos saudáveis com análise por sexo, idade e índice de massa corporaln = 0

    Documenta que o índice de massa corporal é determinante forte e independente da dinâmica de GH — adiposidade visceral atenua amplitude de pulsos e produção total de GH em ambos os sexos. O efeito do IMC se sobrepõe ao efeito do sexo e da idade, complicando interpretação isolada de cada variável. Sugere cautela em interpretar IGF-1 e GH basal em pessoas com obesidade significativa, independente de sexo.

    observacionalPMID 26228064

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