Por objetivo
Peptídeos para recuperação e cicatrização.
Peptídeos estudados em reparo tecidual, cicatrização e recuperação — com mecanismo, nível de evidência e status na Anvisa em cada ficha.
22 fichas
Ativador de AMPK (nucleosídeo, NÃO peptídeo)
AICAR
AICAR (acadesina) NÃO é um peptídeo — é um nucleosídeo ativador da AMPK, o sensor energético da célula. Ficou conhecido como 'exercício em pílula' por estudos em camundongos (Narkar 2008), mas não há ensaio clínico de performance em humanos. É proibido no esporte pela WADA e não é aprovado (ANVISA/FDA/EMA).
Peptídeo derivado da eritropoietina (receptor inato de reparo)
ARA-290 (cibinetida)
Peptídeo sintético de 11 aminoácidos derivado da hélice B da eritropoietina que ativa o receptor inato de reparo (EPOR + CD131) sem estimular eritropoiese. Investigacional, com efeitos anti-inflamatórios/tecido-protetores. Pesquisa inicial em neuropatia da sarcoidose; sem aprovação regulatória.
Peptídeo gástrico sintético
BPC-157
Peptídeo de 15 aminoácidos derivado do suco gástrico. Evidência entusiasta em modelos animais; nenhum ensaio clínico humano de grande porte publicado.
Peptídeo curto (bioregulador tecido-específico proposto) — escola de Khavinson
Cartalax
Cartalax é um peptídeo curto da escola russa de Khavinson, proposto como 'bioregulador' da cartilagem. NÃO é aprovado (sem ANVISA/FDA/EMA), sem RCT robusto e com mecanismo humano não estabelecido. A literatura é escassa, antiga e majoritariamente russa — esta ficha separa o que existe do que não existe.
Análogo de GHRH com vida útil estendida
CJC-1295
CJC-1295, análogo sintético de GHRH com vida útil estendida, eleva GH e IGF-1 por dias após dose única em adultos saudáveis — sem registro na ANVISA e com evidência clínica restrita a estudos pequenos.
Antagonista de miostatina/activina
Folistatina 344
Isoforma da folistatina que neutraliza miostatina e activina, removendo um freio ao crescimento muscular — daí o interesse em massa muscular. A pesquisa clínica séria usa terapia gênica em doenças musculares, não um 'peptídeo 344' de venda livre. Sem produto aprovado; produtos não regulados trazem risco.
Tripeptídeo-cobre endógeno (cobre-peptídeo) — complexo de glycyl-L-histidyl-L-lysine com íon Cu²⁺, originalmente isolado de plasma humano por Loren Pickart em 1973
GHK-Cu
Tripeptídeo-cobre endógeno descrito por Pickart em 1973 em plasma humano (diminui com idade). GHK-Cu (Copper Tripeptide-1) tem base mecanística robusta sobre fibroblastos dérmicos, angiogênese e remodelamento de matriz. RCT independente em pele humana em maio/2026 é menor que para Pal-KTTKS ou Argireline.
Hexapeptídeo agonista do receptor de ghrelina (GHSR-1a) — secretagogo de hormônio do crescimento de 2ª geração
GHRP-2
GHRP-2 (pralmorelina, KP-102) é o hexapeptídeo de 2ª geração da família GHRP, caracterizado por Bowers a partir de 1990. ~10x mais potente que GHRP-6. Aprovado no Japão para uso diagnóstico em GHD pediátrica (Kaken). Sem registro ANVISA — apenas manipulação no Brasil.
Hexapeptídeo agonista do receptor de ghrelina (GHSR-1a) — secretagogo de hormônio do crescimento de 1ª geração
GHRP-6
GHRP-6 é o hexapeptídeo seminal da família dos GHRPs, caracterizado por Bowers em Endocrinology em 1984 — primeiro agonista sintético do receptor depois identificado como GHSR-1a (ghrelina). Sem registro contemporâneo; no Brasil, apenas manipulação magistral sob prescrição.
Secretagogo de GH (GHS) de primeira geração — hexapeptídeo sintético da família GHRP (Growth Hormone Releasing Peptide), agonista do receptor de secretagogo de GH (GHS-R) e do receptor CD36
Hexarelina
Secretagogo de GH (GHS) de primeira geração da Mediolanum (Itália). Hexapeptídeo derivado de GHRP-6 com atividade adicional sobre receptor CD36 — base mecanística para literatura italiana de cardioproteção dos anos 1990-2000 (Locatelli, Rossoni, Bisi, Broglio). Sem registro ANVISA, FDA ou EMA. Banida WADA S2.2.
Fator de crescimento
IGF-1 (fator de crescimento insulina-símile 1)
IGF-1 (fator de crescimento insulina-símile 1) é o hormônio de 70 aminoácidos produzido pelo fígado sob estímulo do GH, mediador do crescimento e do anabolismo. Como fármaco, apenas a mecasermina (IGF-1 recombinante) tem uso clínico, restrito à deficiência primária grave de IGF-1. É distinto do IGF-1 LR3.
Análogo recombinante de IGF-1 com afinidade reduzida por IGFBPs e meia-vida circulante prolongada — uso pré-clínico e investigacional, não aprovado para humanos
IGF-1 LR3 (Long R3 IGF-1)
IGF-1 LR3 (Long R3 IGF-1) é análogo recombinante de IGF-1 com arginina por glutamato na posição 3 e extensão N-terminal de 13aa. Reduz afinidade por IGFBPs ~600-700x e prolonga meia-vida para 20-30h. Desenhado para cultura celular industrial. Sem aprovação humana, sem RCT, listado pela WADA.
Secretagogo de GH (análogo de grelina)
Ipamorelina
Pentapeptídeo secretagogo de hormônio do crescimento. Pulsos de GH mais próximos do fisiológico que hexarelina. Dados em humanos escassos, uso off-label.
Blend de peptídeos de reparo (GHK-Cu + BPC-157 + TB-500 + KPV)
KLOW
KLOW é um blend de quatro peptídeos de 'reparo' — GHK-Cu, BPC-157, TB-500 e KPV. NÃO é medicamento aprovado e NÃO existe ensaio clínico da combinação: eficácia e segurança da mistura específica nunca foram testadas. A maior parte da evidência dos componentes é apenas pré-clínica.
Derivado de aminoácido (NÃO peptídeo)
L-Carnitina
L-carnitina NÃO é um peptídeo — é um derivado de aminoácido que transporta ácidos graxos para a mitocôndria serem queimados. A levocarnitina tem uso médico na deficiência de carnitina, mas como 'queimador de gordura'/performance a evidência é modesta e inconsistente.
Isoforma de splicing do IGF-1 (IGF-1Ec)
MGF (fator de crescimento mecânico)
MGF (fator de crescimento mecânico) é uma isoforma de splicing do IGF-1 (IGF-1Ec) ligada ao reparo muscular inicial. A evidência é sobretudo PRECLÍNICA: o peptídeo do domínio E é instável e de meia-vida curta, e não há evidência humana robusta de uso injetável. Não existe produto aprovado.
Peptídeo derivado de DNA mitocondrial (MDP) — regulador metabólico
MOTS-c
Peptídeo de 16 aminoácidos codificado pelo DNA mitocondrial — descoberto por Lee, Kim e Cohen em 2015 (Cell Metabolism). Único MDP a entrar em ensaio clínico humano em formato modificado (CB4211, CohBar, fase 1). Sem produto aprovado em nenhuma agência regulatória.
Coenzima (NÃO peptídeo)
NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo)
NAD+ NÃO é um peptídeo — é uma coenzima endógena e substrato de sirtuínas. A hipótese antienvelhecimento repõe NAD+ via precursores (NMN/NR), pois o NAD+ oral é mal absorvido. A biologia é sólida, mas a evidência humana de benefício é emergente e limitada: ensaios pequenos elevam marcadores, sem provar longevidade.
Análogo sintético de GHRH (1-29) — secretagogo de hormônio do crescimento
Sermorelina
Sermorelina, fragmento sintético dos primeiros 29 aminoácidos do GHRH humano, foi aprovada pelo FDA em 1990 para diagnóstico e em 1997 para tratamento de deficiência pediátrica de GH; o produto comercial Geref foi descontinuado em 2008 e, no Brasil, só existe via manipulação magistral sob prescrição.
Agonista de ERR (molécula pequena, NÃO peptídeo)
SLU-PP-332
SLU-PP-332 NÃO é um peptídeo — é uma molécula pequena agonista dos receptores ERR, estudada como 'mimético do exercício' apenas em modelos pré-clínicos (células e camundongos). Não é aprovado (sem ANVISA/FDA/EMA), não tem ensaio clínico humano e seu perfil de segurança em pessoas é desconhecido.
Heptapeptídeo sintético acetilado correspondente ao fragmento 17-23 da timosina-β4 (Ac-LKKTETQ)
TB-500
Heptapeptídeo sintético acetilado (Ac-LKKTETQ) correspondente ao fragmento 17-23 da timosina-β4. Comercializado em mercado paralelo internacional como 'research peptide'. Sem RCT humano publicado em literatura indexada e sem registro regulatório.
Combinação de secretagogos de GH (GHRH análogo + agonista de grelina)
Blend Tesamorelina + Ipamorelina
Blend de dois secretagogos de GH — tesamorelina (análogo de GHRH) e ipamorelina (agonista de grelina) — com vias complementares do eixo GH. O racional é plausível, mas NÃO existe ensaio clínico da combinação: eficácia, segurança e dose da mistura nunca foram testadas. Não é medicamento aprovado.
Uma edição por semana — três leituras críticas e um link.
Um estudo comentado, uma decisão regulatória relevante e uma pergunta boa de levar à consulta. Cancele a qualquer momento.