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Estudo em foco·Ciência básica

SUSTAIN-7: semaglutida vs dulaglutida, dois GLP-1 semanais

SUSTAIN-7 (Pratley 2018, Lancet D&E, n=1201) comparou head-to-head semaglutida e dulaglutida em DM2, por 40 semanas. A semaglutida reduziu mais HbA1c e mais peso nas duas faixas de dose.

PorAmanda MatsudaPublicado17 de agosto de 2026Leitura~4 min

TL;DR

O SUSTAIN-7 (Pratley et al, Lancet Diabetes & Endocrinology 2018, PMID 29397376) fez algo raro: comparou head-to-head dois agonistas de GLP-1 semanais — semaglutida e dulaglutida — em 1.201 adultos com diabetes tipo 2, por 40 semanas. Nas duas faixas de dose, a semaglutida reduziu mais HbA1c e mais peso. Na dose baixa (semaglutida 0,5 mg vs dulaglutida 0,75 mg): HbA1c −1,5 vs −1,1 pp (ETD −0,40; IC 95% −0,55 a −0,25; p<0,0001) e peso −4,6 vs −2,3 kg (ETD −2,26 kg; IC 95% −3,02 a −1,51; p<0,0001). Na dose alta (semaglutida 1,0 mg vs dulaglutida 1,5 mg): HbA1c −1,8 vs −1,4 pp (ETD −0,41; IC 95% −0,57 a −0,25; p<0,0001) e peso −6,5 vs −3,0 kg (ETD −3,55 kg; IC 95% −4,32 a −2,78; p<0,0001). Superioridade estatística — que não é o mesmo que "melhor para todo paciente".

Por que uma comparação direta vale mais

Grande parte do que se lê sobre GLP-1 vem de ensaios contra placebo. Cada molécula mostra quanto reduz frente a "nada", e o público tende a comparar esses números entre si — como se fossem intercambiáveis. Não são: populações, durações e desenhos diferem, e cruzar resultados de ensaios distintos é uma das leituras erradas mais comuns.

O SUSTAIN-7 evita isso. É um head-to-head: as duas moléculas foram testadas na mesma população, no mesmo período, com doses pareadas — a de menor e a de maior nível de cada uma. O que ele responde é a pergunta direta: entre dois GLP-1 semanais, qual reduz mais glicose e mais peso? A resposta não precisa passar pelo placebo.

O desenho

O SUSTAIN-7 foi um ensaio fase 3b randomizado e aberto (open-label), com 40 semanas de duração e 1.201 adultos com diabetes tipo 2. Os participantes foram alocados em quatro braços, organizados em dois pares de dose:

ComparaçãoSemaglutidaDulaglutida
Dose baixa0,5 mg/semana0,75 mg/semana
Dose alta1,0 mg/semana1,5 mg/semana

O desfecho primário foi a mudança na HbA1c em 40 semanas; a mudança de peso foi desfecho secundário. O caráter aberto é comum nesse tipo de comparação — as duas moléculas usam dispositivos de aplicação diferentes, o que dificulta o cegamento. Como HbA1c e peso são desfechos objetivos, pouco sensíveis a viés de expectativa, isso preserva a força do resultado.

Os números verificados

HbA1c. Na dose baixa, a semaglutida 0,5 mg reduziu a HbA1c em 1,5 pontos percentuais, contra 1,1 da dulaglutida 0,75 mg — diferença de tratamento estimada (ETD) de −0,40 pp (IC 95% −0,55 a −0,25; p<0,0001). Na dose alta, a semaglutida 1,0 mg reduziu 1,8 pp, contra 1,4 da dulaglutida 1,5 mg — ETD de −0,41 pp (IC 95% −0,57 a −0,25; p<0,0001).

Peso. Na dose baixa, a semaglutida 0,5 mg reduziu 4,6 kg, contra 2,3 kg da dulaglutida 0,75 mg — ETD de −2,26 kg (IC 95% −3,02 a −1,51; p<0,0001). Na dose alta, a semaglutida 1,0 mg reduziu 6,5 kg, contra 3,0 kg da dulaglutida 1,5 mg — ETD de −3,55 kg (IC 95% −4,32 a −2,78; p<0,0001).

Em todos os quatro contrastes, o intervalo de confiança fica inteiramente do lado da semaglutida (não cruza o zero), e o p é <0,0001. A vantagem no peso é notavelmente maior na dose alta: −3,55 kg de diferença média entre as moléculas.

Como interpretar com honestidade

O SUSTAIN-7 estabelece superioridade estatística da semaglutida sobre a dulaglutida em HbA1c e peso, nessa população e nessas doses. Isso é um dado sólido — e também é preciso dizer o que ele não significa.

  • Superioridade média ≠ melhor para cada pessoa. Uma diferença significativa entre grupos descreve a média. Individualmente, tolerância gastrointestinal, efeitos adversos, comorbidades, custo, acesso e preferência de aplicação podem inverter a decisão. Muita gente responde muito bem à dulaglutida.
  • Magnitude clínica vs significância estatística. Uma ETD de −0,40 pp de HbA1c é estatisticamente robusta; se é clinicamente decisiva depende do contexto de cada paciente e da meta terapêutica.
  • Doses pareadas, não idênticas. As doses comparadas são as faixas correspondentes de cada molécula, não miligramas iguais — a comparação é entre regimes, como usados na prática.

O que o SUSTAIN-7 não mede

O SUSTAIN-7 é um ensaio de eficácia glicêmica e de peso. Não foi desenhado para medir desfechos cardiovasculares — infarto, AVC, morte cardiovascular. Para isso existem ensaios próprios: SUSTAIN-6 (semaglutida) e REWIND (dulaglutida). Concluir qualquer coisa sobre proteção cardiovascular a partir da redução de HbA1c do SUSTAIN-7 é misturar tipos de pergunta que não se respondem no mesmo estudo. E, por ser de 40 semanas, ele também não fala sobre manutenção de peso ou controle glicêmico no longo prazo.

O que isso significa na prática

Entre dois GLP-1 semanais, o SUSTAIN-7 mostra que a semaglutida produziu, em média, maior redução de HbA1c e de peso que a dulaglutida — de forma consistente nas duas faixas de dose e com significância estatística clara. É informação útil para dimensionar expectativas de magnitude. O que o ensaio não autoriza: transformar "superior na média" em "a escolha certa para você", ignorar tolerância e acesso, ou emprestar esses números para falar de coração. A definição de qual molécula, em qual dose, é clínica e individualizada, com prescrição médica.

Para aprofundar

<!-- DEDUP: grep -irl "sustain-7|dulaglutida" content/drafts — SUSTAIN-7 head-to-head sema vs dula é inédito. Peças próximas: rewind-dulaglutida-cardiovascular (desfecho CV, molécula única), exenatida-vs-liraglutida (outro par head-to-head), liraglutida-vs-semaglutida-diabetes (par distinto), step-8-semaglutida-liraglutida (STEP-8, outro par e desfecho de peso). Nenhuma cobre SUSTAIN-7. Ângulo aqui: comparação DIRETA entre dois GLP-1 semanais, foco em HbA1c+peso pareados por dose. PMID 29397376 verificado via WebFetch. -->

Perguntas frequentes

O que o SUSTAIN-7 comparou?
+
O SUSTAIN-7 (Pratley 2018, Lancet Diabetes & Endocrinology, n=1201) foi um ensaio fase 3b randomizado e aberto que comparou head-to-head dois agonistas de GLP-1 semanais em adultos com diabetes tipo 2: a semaglutida e a dulaglutida, ao longo de 40 semanas. O diferencial é que a comparação foi direta, molécula contra molécula, e não cada uma contra placebo — o que evita o erro de cruzar resultados de ensaios diferentes. As doses foram pareadas em dois níveis: semaglutida 0,5 mg vs dulaglutida 0,75 mg (dose baixa) e semaglutida 1,0 mg vs dulaglutida 1,5 mg (dose alta).
Qual reduziu mais a HbA1c no SUSTAIN-7?
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A semaglutida, nas duas faixas de dose. Na dose baixa, a semaglutida 0,5 mg reduziu a HbA1c em 1,5 pontos percentuais contra 1,1 da dulaglutida 0,75 mg — uma diferença de tratamento estimada (ETD) de −0,40 pp (IC 95% −0,55 a −0,25; p<0,0001). Na dose alta, a semaglutida 1,0 mg reduziu 1,8 pp contra 1,4 da dulaglutida 1,5 mg — ETD de −0,41 pp (IC 95% −0,57 a −0,25; p<0,0001). As duas diferenças foram estatisticamente significativas e de magnitude parecida.
E o peso, quanto cada uma fez perder?
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Na dose baixa, a semaglutida 0,5 mg reduziu o peso em 4,6 kg contra 2,3 kg da dulaglutida 0,75 mg (ETD −2,26 kg; IC 95% −3,02 a −1,51; p<0,0001). Na dose alta, a semaglutida 1,0 mg reduziu 6,5 kg contra 3,0 kg da dulaglutida 1,5 mg (ETD −3,55 kg; IC 95% −4,32 a −2,78; p<0,0001). A vantagem da semaglutida sobre o peso foi consistente e maior na dose alta. São valores médios de população, em contexto de ensaio — não uma promessa individual.
Semaglutida ser 'melhor' no SUSTAIN-7 significa que é a escolha para todo mundo?
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Não. O SUSTAIN-7 mostra superioridade estatística da semaglutida em HbA1c e peso nesse ensaio, nessa população e nessas doses. Isso não decide sozinho a conduta clínica: tolerância gastrointestinal, perfil de efeitos adversos, comorbidades, custo, acesso e preferência do paciente pesam na decisão. Uma diferença média significativa entre grupos não diz qual molécula é melhor para uma pessoa específica. A escolha é clínica, individualizada e dependente de prescrição médica.
O SUSTAIN-7 mediu desfecho cardiovascular?
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Não. O SUSTAIN-7 foi um ensaio de eficácia glicêmica e de peso, com desfecho primário na HbA1c em 40 semanas. Ele não foi desenhado para medir eventos cardiovasculares (infarto, AVC, morte cardiovascular). A evidência cardiovascular da semaglutida vem de outro ensaio (SUSTAIN-6); a da dulaglutida, do REWIND. Comparar a redução de HbA1c do SUSTAIN-7 com resultados de desfecho cardiovascular de outros ensaios é misturar perguntas diferentes.
Por que o desenho aberto (open-label) importa na leitura?
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O SUSTAIN-7 foi open-label, ou seja, participantes e pesquisadores sabiam qual medicamento estava sendo usado — algo comum em comparações diretas entre dois dispositivos de aplicação diferentes. Desfechos objetivos como HbA1c e peso são pouco sensíveis a esse tipo de viés, o que preserva a força do resultado. Ainda assim, o rótulo aberto é uma característica do desenho que vale registrar ao interpretar, especialmente para desfechos mais subjetivos, como relato de efeitos adversos.

Estudos citados

1 referência
  1. 01
    Pratley RE, Aroda VR, Lingvay I, Lüdemann J, Andreassen C, Navarria A, Viljoen A; SUSTAIN 7 investigators. Semaglutide versus dulaglutide once weekly in patients with type 2 diabetes (SUSTAIN 7): a randomised, open-label, phase 3b trial · The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2018 · Ensaio fase 3b randomizado, aberto (open-label), head-to-head — 1.201 adultos com diabetes tipo 2, semaglutida vs dulaglutida uma vez por semana, 40 semanas (SUSTAIN 7)n = 1.201

    Comparação direta. Dose baixa: semaglutida 0,5 mg reduziu HbA1c em 1,5 pp vs 1,1 pp da dulaglutida 0,75 mg (ETD −0,40 pp; IC 95% −0,55 a −0,25; p<0,0001); peso −4,6 kg vs −2,3 kg (ETD −2,26 kg; IC 95% −3,02 a −1,51; p<0,0001). Dose alta: semaglutida 1,0 mg reduziu HbA1c em 1,8 pp vs 1,4 pp da dulaglutida 1,5 mg (ETD −0,41 pp; IC 95% −0,57 a −0,25; p<0,0001); peso −6,5 kg vs −3,0 kg (ETD −3,55 kg; IC 95% −4,32 a −2,78; p<0,0001).

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